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25 de setembro de 2021
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Com informações do Estadão

No dia 19 de julho o governo inglês revogou todas as medidas de distanciamento social, o uso de máscaras e as restrições ao comércio. A vida voltou ao normal em Londres. Os ingleses festejaram nos pubs e nas boates. A festa do “dia da liberdade” virou a noite. As únicas restrições mantidas se relacionam às viagens internacionais e ao ingresso de turistas.

A partir de agora, o controle da Covid-19 passa a ser uma responsabilidade individual e não mais do governo. Ou seja, a Covid-19 vai ser tratada como mais uma doença infecciosa. Cada um cuida de si e administra os riscos que deseja correr. O governo informa a população, fornece os meios para as pessoas se protegerem (vacinas) e hospitais para se tratarem.

A lógica por trás dessa decisão é que existem vacinas capazes de evitar novos casos e mortes. Essas vacinas já foram oferecidas a todos os maiores de 18 anos do país: quem quis foi vacinado com as duas doses. Além disso, quem desejar vai receber um reforço nos próximos meses.

Os que não se vacinaram foram contatados por telefone e e-mail e a vacina lhes foi oferecida. Com isso mais de 60% da população está vacinada e os 40% restantes são crianças e os adultos que não querem se vacinar. Testes rápidos de antígenos foram distribuídos e qualquer residência pode ter um par deles na gaveta.

Tudo isso fez com que o risco da Covid-19 para a população tenha se reduzido a níveis aceitáveis. E deve continuar assim pois a doença está controlada e as novas cepas estão sendo constantemente monitoradas, como fazem com a gripe. 

Nesse contexto, o governo não acredita que seja justo atrapalhar a vida de toda a população por causa de uma minoria que se recusa a ser vacinada. O plano é que a Covid-19 seja incorporada à rotina da vida de todos os ingleses, como já acontece com as outras doenças infecciosas: gripe, sarampo, Aids e tantas outras.

A aposta da Inglaterra é arriscada. No exato momento em que as medidas foram anunciadas o número de casos da variante delta está subindo (~40 mil por dia) e se acredita que pode chegar a 100 mil por dia. Apesar desse aumento de casos, o número de internações e óbitos continua baixo, como previam os epidemiologistas. Se essa tendência continuar quando os efeitos da abertura total forem sentidos nas próximas semanas, o governo inglês vai poder afirmar que a pandemia realmente terminou. O Sars-CoV-2 passou a ser mais um vírus “normal”, monitorado e combatido com vacinas. 

Os otimistas acreditam que tudo vai dar certo e que essa onda atual de casos ainda vai aumentar. Acham que ela vai ajudar o país a atingir mais rapidamente a imunidade coletiva. Essa onda está sendo chamada de “onda de saída”, uma consequência da liberação das medidas restritivas. São na maioria casos leves, pois casos graves se concentram em pessoas não vacinadas.

Já os pessimistas estão com medo de que o atual crescimento dos casos acabe lotando os hospitais e provocando um aumento de mortes, o que obrigará o governo a voltar atrás. Ou seja, acreditam que a vacinação ainda não desacoplou totalmente o número de casos do número de mortes. Além disso temem que a circulação do vírus possa permitir o surgimento de novas variantes.

O fato é que a Inglaterra foi o primeiro país a decretar o fim da pandemia e a volta à normalidade. Uma decisão baseada em análises feitas por cientistas com base na enorme quantidade de dados que a Inglaterra vem coletando. Logo saberemos se essa foi a decisão correta. 

Se tiver sido, a Inglaterra vai mostrar ao mundo como será nosso futuro. Ou então os ingleses terão que meter o rabo entre as pernas e voltar atrás na sua decisão de decretar o fim da pandemia.