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20 de novembro de 2021
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Com informações do Infoglobo

MANAUS (AM) – No mesmo dia em que o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU divulgou seu primeiro relatório em oito anos, alertando para a maior frequência de eventos extremos devido ao aumento da temperatura do planeta, os Estados Unidos, a Rússia e o Sul da Europa enfrentam, nesta segunda-feira, 9, incêndios florestais de grandes proporções. De acordo com o relatório, ondas de calor que eram comuns de 50 em 50 anos agora são esperadas de dez em dez anos.

Nos EUA, o incêndio conhecido como Dixie, que começou em 14 de julho, se tornou no fim de semana o segundo maior incêndio florestal da História do Estado da Califórnia, segundo as autoridades locais. Já na região de Iacútia,  no norte da Sibéria, as chamas  se agravaram, nesta segunda-feira, 9, e a fumaça chegou ao Polo Norte, segundo a Nasa, a agência espacial americana. Também nesta segunda, 9, autoridades começaram a avaliar o estrago causado pelos incêndios na Grécia, principalmente na ilha de Eubeia, a leste de Atenas.

Na Califórnia, o Dixie havia destruído, até ontem, 187.562 hectares de florestas e matas. Três pessoas estão desaparecidas, três bombeiros ficaram feridos, cerca de 400 estruturas foram destruídas e a cidade histórica de Greenville foi devastada. Milhares de moradores do Norte do Estado fugiram da área e muitos estão morando em alojamentos temporários, como barracas, sem saber se suas casas foram poupadas.

Estima-se que 5 mil pessoas estejam envolvidas no combate às chamas na Califórnia. No sábado, 7, o governador Gavin Newson visitou Greenville e expressou sua “profunda gratidão” às equipes de bombeiros que lutam contra o fogo. Apesar disso, as equipes acreditam que o incêndio não será extinto antes de 20 de agosto. Os bombeiros estão se preparando para altas temperaturas que devem exceder 38 graus Celsius até o meio da semana.

“As secas estão se tornando muito mais nítidas, está mais quente do que nunca… Temos que reconhecer diretamente que estes são incêndios florestais induzidos pelo clima”, disse Newson.

Em Iacútia, a região mais fria da Rússia, às margens do Oceano Ártico, a situação “continua piorando com uma tendência crescente no número e na área de incêndios florestais”, anunciou a agência meteorológica russa, Rosguidromet, nesta segunda-feira, 9, em seu site. De acordo com este organismo, mais de 3,4 milhões de hectares de florestas foram queimados e “uma fumaça densa se espalha por toda a zona”.

No final de julho, os bombeiros e as autoridades locais disseram à agência AFP que não tinham homens, equipamentos e outros recursos para lidar com a escala dos incêndios. Usando respiradores artificiais para lutar contra o fogo e suportar a fumaça, a equipe perdeu a conta dos incêndios que combateu desde o final de maio. É a pior temporada de incêndios na região em anos.

Os ambientalistas questionam a política russa de extinção de incêndios florestais, incluindo um decreto do governo de 2015 que permite às autoridades locais ignorar os incêndios, se o custo de apagá-los exceder os danos estimados. De acordo com Alexei Yaroshenko, especialista ambiental do Greenpeace Rússia, os incêndios já devastaram 14,96 milhões de hectares no país desde 1º de janeiro, o pior índice desde 2012.

Na Grécia, onde o clima muito quente e seco provoca incêndios florestais desde a semana passada, o primeiro-ministro, Kyriakos Mitsotakis, realiza, nesta segunda-feira, 9, uma reunião ministerial para decidir medidas de apoio aos que perderam propriedades para o fogo. Milhares de pessoas foram obrigadas a abandonar suas casas e pertences devido aos incêndios.

“Nossa meta é completar o inventário o mais rápido possível, para iniciar imediatamente o processo de compensação dos cidadãos afetados”, disse o Ministério da Infraestrutura e dos Transportes em um comunicado.

Em Eubeia, que é a segunda maior ilha grega e fica perto do continente, aeronaves que jogavam água no local tiveram dificuldade para realizar a missão por causa das colunas de fumaça. As temperaturas chegaram a baixar um pouco, depois de atingirem um recorde de 30 anos, mas se prevê que voltem a subir nos próximos dias, o que mantém alto o risco de novos incêndios.

Até mesmo Atenas, capital do País, sofreu com as chamas. Autoridades começaram a avaliar os danos de um incêndio que atingiu diversos bairros do Norte da cidade, na semana passada, e que começou a recuar no sábado.