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8 de dezembro de 2021
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Bruno Pacheco – Da Revista Cenarium

MANAUS – Pela primeira vez em dez anos, a renda do brasileiro ficou abaixo de R$ 1 mil, segundo mostra a pesquisa “Bem-Estar Trabalhista, Felicidade e Pandemia”, do Centro de Estudos da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Social. A pandemia da Covid-19, de acordo com o estudo, foi o principal motivador da queda de 11,3% da renda média per capita, que saiu de R$ 1.122 no primeiro trimestre de 2020 para R$ 995 no igual período de deste ano. Para especialistas, o desmoronamento afeta toda a cadeia da economia.

“A pandemia foi o fator principal que influenciou na queda da renda. Em função dela, foi necessária a adoção de lockdown, o que impactou diretamente alguns setores. Todos sofrem com a queda da renda, o empresário, o consumidor, o investidor. Sem renda, não há aumento de riqueza no País, não tem como o País crescer”, avalia a economista Mônica Damasceno, membro da Associação Brasileira de Educadores Financeiros (Abefin).

Os pobres foram os que mais sentiram impactos (Ricardo Oliveira/Revista Cenarium)

Segundo o estudo, os pobres sentiram ainda mais os impactos da pandemia sobre o mercado de trabalho, o que eleva a desigualdade social no País. O levantamento considera a renda efetivamente recebida do trabalho dividida pelos integrantes da família e analisa os microdados da Pnad Contínua, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Desde o início da série histórica, em 2012, é o menor nível do indicador.

Além disso, sem a média móvel, a média da renda individual do trabalho caiu 10,89% no primeiro trimestre de 2021, em comparação ao mesmo período do ano passado. Segundo a pesquisa, a queda entre os pobres foi ainda maior, de 20,81%, quase duas vezes maior do que a média.

Impactos

Segundo a especialista, a cadeia da economia segue uma ordem que vai desde a renda, consumo, produção a geração de emprego, e quando uma é diretamente impactada, todo um processo econômico é corrompido.

Mônica salienta, ainda, que a redução da renda afeta nos afazeres diários do brasileiro. “Se você não tem renda, você não tem dinheiro para pagar o seu aluguel, para comer, para se vestir, se divertir, pagar a escola do seu filho. Tudo isso gera uma cadeia”, reforça.

Segundo Mônica, em meio ao agravamento da crise na saúde que se instalou no Brasil, nos últimos meses, como consequência da segunda onda da Pandemia da Covid-19, a alternativa para confrontar a queda na renda é a melhoria do sistema de saúde, pois, com isso, haverá maior produção do trabalhador, o que poderá influenciar na retomada do crescimento.

Situação delicada

Para Mônica, a situação econômica é um pouco mais delicada no Amazonas. Além de enfrentar a pandemia do novo coronavírus, o Estado se vê diante da cheia dos rios Negro, Solimões e Amazonas, cujos níveis da água batem recorde em Manaus e em algumas cidades do interior, segundo o Serviço Geológico do Brasil (CPRM).

Na capital amazonense, por exemplo, o nível do rio Negro bateu um novo recorde nessa quarta-feira, 16, ao subir três centímetros e atingir a marca de 30,02 metros, sendo a maior cheia dos últimos 119 anos, isto é, desde 1902, quando as marcas começaram a ser registradas. A subida ocorreu após a água apresentar uma vazante na última segunda-feira, 14, caracterizando o processo de repiquete, ou seja, quando rio desce e sobe novamente. Já nesta quinta-feira, 17, o rio apresentou instabilidade.

“A situação é mais delicada. Além da pandemia, tivemos a cheia do rio que está dificultando a venda e a abertura das lojas no Centro [de Manaus]. Com isso, num futuro, teremos uma renda ainda menor e geração menor de emprego”, finalizou.