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21 de janeiro de 2022
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Priscilla Peixoto – Da Revista Cenarium

MANAUS — Com quase um ano de existência, a CENARIUM listou uma série de matérias que se destacaram ao abordar de forma técnica, leve e didática, assuntos relacionados à igualdade de gênero, cultura, religião e beleza no contexto amazônico. Na segunda parte da série ‘Retrospectiva Diversidade’, a publicação desta quarta-feira, 29, relembra algumas histórias que retratam o cotidiano, a força, luta e o empoderamento do universo feminino, além dos dados de violência que o gênero enfrenta de forma constante no Brasil. Para ler a matéria completa, basta clicar nos links abaixo.

Mulher

Dona Marina: história de força e superação da típica mulher amazônida. Conheça a história de Marina de Lima, 84, natural da comunidade de Santa Luzia, em Anori no Amazonas. O tempo passa e Dona Marina vai continuar sem entender o que quer dizer o tal ‘sexo frágil’. Ela vai seguir realizando tantas tarefas árduas do seu cotidiano e, quando se der conta, vai ter vivido em um mundo onde quem quer faz e não faz questão de saber da ‘guerra dos sexos’ ou do ‘sexo forte’.

Questionada se faz parte do ‘sexo frágil’, a anoriense responde com um franzido de testa. “Não sei nem o que é isso”, diz a senhora. Dos ‘vera’, de sexo frágil, Marina não tem nada. Mesmo com seus 1,50m de altura, a cabocla amazônida é uma grande mulher.

Dia Internacional da Mulher: a luta diária das ‘Guerreiras da Ancestralidade’. Em uma conversa especial com a REVISTA CENARIUM sobre o significado da data para as mulheres com descendência indígenasCarina do povo Desana, etnia mais comum ao longo do alto e médio Rio Negro, divide uma pequena parte do cotidiano das mulheres do local, que percorreram um longo caminho à conscientização para o combate a toda e qualquer desigualdade de gênero em diversos âmbitos sociais.

 “A mulher indígena que vive em sociedade atualmente também quer ocupar cargos, alcançar níveis e escolaridade para obter o respeito e o espaço. Se posicionar, ter coragem e dizer de onde viemos pode ser difícil, mas, quando a ancestralidade pousa em nosso peito, refletimos a nossa história entre gerações’, pontua Carina.

Mulheres veem no brechó a oportunidade de aderir ao empreendedorismo. Em épocas de crise e orçamento apertado, encontrar uma solução para aumentar a renda nem sempre é fácil e, empreender é o caminho para as mulheres que, por vezes, são a principal fonte de sustento da casa. Nesse sentido, os brechós podem ser uma alternativa para as que pretendem começar do zero sem ter muito capital.

Esse é o caso das amigas Stella Sarmento, de 37 anos, e Erikarla Sarmento, de 31 anos. Apesar de formadas em Arquitetura e Engenheira Civil, respectivamente, elas viram no brechó a oportunidade de ajudar a renda familiar em meio à crise financeira. Com o investimento inicial pequeno, as ‘brecholeiras’ revelam que a atividade, antes reservada ao final de semana, acabou expandindo significativamente.

Leia mais histórias sobre o universo feminino acessando o Site da Revista Cenarium (Reprodução/Atlas Studio/iStock)

Mulheres empoderadas: o projeto que tem feito a diferença para mulheres da zona Sul de Manaus. A matéria aborda um grupo de sete mulheres que movimenta a zona Sul de Manaus, por meio das redes sociais, com o projeto ‘Mulheres Empoderadas’. Com intuito de ajudar mulheres em situações de riscos e lutar por implementações de políticas públicas que efetivem os direitos da mulher em todos os âmbitos sociais.

Na editoria, é possível encontrar diversos textos publicados sobre as ações desenvolvidas pelas empoderadas. De forma quinzenal nos reunimos para formação e planejamento de ações. E semanalmente terças-feiras e quintas-feiras para visitas domiciliares às mulheres identificadas em situações de riscos e vulnerabilidades sociais,” explica a responsável pelo projeto Gleiciane Lima.

A importante (e ainda em construção) conquista do voto feminino no Brasil. Dia 24 de fevereiro, data marcada para celebrar a conquista do voto feminino no Brasil. Em 1932, (durante o governo de Getúlio Vargas, 1930-1945) o Código Eleitoral passou a assegurar o direito ao voto para as mulheres, porém, com ressalvas. Isso porque no início, o direito era reservado apenas para as mulheres viúvas com renda própria ou mulheres que eram casadas e fossem autorizadas pelos seus respectivos maridos. Dois anos depois, essas limitações já não existiam mais e passaram a constar na Constituição Federal.

Antes da luta e conquista pelo o direito de votar, as mulheres também foram em busca de seus espaços na educação de base, no trabalho, no ensino superior entre outras conquistas. Mas o direito ao voto definitivamente foi uma grande vitória para a mulher no que diz respeito ao campo jurídico. 

Empoderamento feminino: cinco passos para encorajar, fortalecer e promover autoconfiança no cotidiano. Você já empoderou uma mulher hoje? Pode ser uma amiga, mãe, filha, uma colega de trabalho, chefe ou até mesmo aquela atendente da loja que você costuma fazer compras. Todo dia é dia para esta iniciativa de reconhecimento, que, inclusive, é apoiada pela Organização das Nações Unidas (ONU). Ela humaniza, engrandece e estimula tanto quem faz quanto quem recebe esse ato de encorajamento e incentivo. A REVISTA CENARIUM, com a ajuda de uma psicóloga, elaborou cinco passos básicos para quem deseja colocar estão ação em prática.

Antes é importante entender um pouco mais sobre o que é o empoderamento. No dicionário Aurélio, o termo é definido da seguinte forma: “Ação de se tornar poderoso, de passar a possuir poder, autoridade, domínio sobre; exemplo: processo de empoderamento das classes desfavorecidas”, e segue o conceito “Passar a ter domínio sobre a sua própria vida; ser capaz de tomar decisões sobre o que lhe diz respeito, exemplo: empoderamento das mulheres”.

Violência contra a mulher

Especialistas comentam crescimento do feminicídio entre mulheres negras no Brasil. Profissionais consultados pela CENARIUM comentam o crescente aumento do feminicídio entre mulheres negras no Brasil. Um levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) e do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea), conhecido como ‘Atlas da Violência’, aponta que entre os anos de 2009 a 2019, 50.056 mil mulheres foram mortas pelo próprio companheiro. O aumento de 2% ocorre em relação ao assassinato de mulheres negras, as quais foram 2.468 mil vítimas no ano de 2019 contra 2.419 mil em 200.

Com 51% de mortes por arma de fogo, estatísticas do feminicídio preocupam especialistas. Um levantamento realizado pelo Instituto Sou da Paz (ISP), no dia 5 de agosto, revela que, nos últimos 20 anos, 51% das mortes de mulheres foram mortas por disparo de armas de fogo. O estudo foi executado a partir de dados dos sistemas de notificação de violência do Ministério da Saúde (MS). A maioria das vítimas, segundo o estudo, foram mortas dentro de casa.

Em 2019, por exemplo, uma cada quatro mulheres assassinadas por arma de fogo estava dentro da própria residência, o que corresponde a (26%) dessas vítimas. Para o delegado da Polícia Civil do Amazonas (PC-AM), João Victor Tayah, o porte de arma é um dos fatores que pode ter contribuído para que o risco vivido por quem sofre uma realidade de violência doméstica aumentasse.

A delegada Débora Mafra é figura atuante no combate à violência contra a mulher no AM (Reprodução/ Instagram)

Lei Maria da Penha: 15 anos de combate à violência contra a mulher: Sancionada em 7 de agosto de 2006, a Lei Maria da Penha de nº 11.340 de 2006 completou em 2021, 15 anos. A norma tem caráter multidisciplinar e visa proteger mulheres que vivem em situação de violência familiar e doméstica, com previsão de julgamento pelo Juizado Especializado em Violência Doméstica, que, inclusive, foi criado junto com a Lei Maria da Penha.

Ao contrário do que muitos pensam, a lei não é voltada somente para os casos em que a mulher sofre agressão do cônjuge. Ela também ampara a vítima agredida por pai, mãe, filhos e cunhados, além de outros. A lei também ‘abraça’, por exemplo, uma secretária do lar que reside no trabalho e passa por violência cometida pelos patrões.

‘A culpa nunca foi o tamanho das nossas roupas’, afirmam mulheres sobre importunação sexual:  “Queria poder vestir uma roupa um dia sabendo que não vai ter gente com piadinhas constrangedoras ou que ache que tem o direito de passar a mão no meu corpo, como se uma peça de roupa desse cartão verde para isso”. Esse é o sentimento da estudante Maria Luiza, de 25 anos, que reflete não só o desejo de ‘liberdade’, como o receio que muitas mulheres têm de sofrer importunação sexual, há qualquer momento, tendo as roupas como motivação e desculpas daqueles que as assediam.

Conheça leis essenciais para enfrentamento da violência contra a mulher. No Brasil, há várias leis essenciais no enfrentamento da violência contra a mulher, umas mais conhecidas e outras nem tanto. Por essa razão, foram listadas por uma especialista seis leis que toda mulher deve conhecer.

As leis em termos gerais são destinadas à proteção da figura feminina, principalmente aquelas que se encontram em situação de violência doméstica e familiar. Essas instruções também ajudam a romper parte de relações hierárquicas, machistas, abusivas, históricas e até culturais em que a mulher tem vivido ao longo do tempo.