23 de novembro de 2020

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Náferson Cruz – Da Revista Cenarium

MANAUS – As águas dos rios amazônicos devem se manter com níveis baixos até o fim da vazante, previsto para o mês de dezembro. Com a seca, a navegação já está prejudicada, como é o caso de comunidades no município de Itamarati, a 985 quilômetros de Manaus, no Sudoeste do Amazonas.

A seca dos rios este ano começa a afetar o abastecimento e o escoamento da produção de pelo menos 20 comunidades do município. Para chegar às localidades ribeirinhas, as embarcações gastam o dobro do tempo da viagem, passando de oito para quase 16 dias.

A demora no trajeto se deve à forte estiagem que atinge o rio Juruá, cujo leito está 11 metros abaixo da média. Pedrais e bancos de areia que se formam no leito do subafluente do rio Amazonas ameaçam encalhar os itinerários de recreio e de produtores rurais.

Por telefone, o ribeirinho Francisco Ferreira, 52 anos, disse à REVISTA CENARIUM, que lamenta pelos efeitos causados pela vazante, mas acredita que ações inconscientes praticadas pelo homem, que resultam em queimadas, desmatamento e poluição dos rios foram determinantes na drástica modificação do cenário natural. Paranás, furos e igapós, repletos de água torraram sob o sol forte, descreveu Ferreira.

Os moradores de Benjamin Constant, a 1.119 quilômetros de Manaus, também sentem os efeitos da vazante, principalmente, aqueles que atuam no terminal portuário com o comércio e logística das cargas das embarcações. Banhada pelo Paraná do Javarizinho, braço do rio Javari, a cidade já não recebe, desde a semana passada, as embarcações provenientes da capital amazonense e de municípios da calha do Solimões. 

De acordo com Olivaldo Carlos Filho, chefe de gabinete da prefeitura de Benjamin Constant, a vazante do rio que banha a cidade direcionou as médias e grandes embarcações para o município de Tabatinga, a 26 quilômetros de Benjamin Constant.

Comunidades do município de Itamarati sentem os efeitos da vazante do rio. (Ricardo Oliveira/Revista Cenarium)

Navegação comprometida

Em alguns pontos do rio Madeira, a navegação está comprometida por conta dos pedrais e bancos de areia que surgem nos leitos dos rios. Normal é ficar entre 23 e 26 metros. Os efeitos da seca já são sentidos por quem navega pelas comunidades ribeirinhas, com dificuldades para se deslocar pelos lagos e paranás.

A estiagem no rio Madeira que banha os Estados do Amazonas e Rondônia também teve reflexo no transporte de mercadorias, as embarcações reduziram cerca de 30% do volume de carga para possibilitar a navegação pelo rio e, com todas essas dificuldades, o tempo de viagem de Porto Velho a Manaus, quase dobrou.

Nível do Rio Negro

Desde o início do mês de outubro, o nível do Rio Negro, em Manaus, estava reduzindo uma média de 10 centímetros ao dia, de acordo com medição do Porto de Manaus. Mas, na sexta-feira (23), o nível estabilizou e apresentou uma pequena elevação de 1 cm. No mesmo dia do ano passado, a redução chegou a menos cinco centímetros. Para esta medida, o CPRM também afirma que a vazante está dentro da normalidade e não deve causar impactos extremos.

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