8 de março de 2021

Com informações de agência

MANAUS – O cientista Richard Carl Vogt, fundador do Centro de Estudos dos Quelônios da Amazônia (Cequa), faleceu no domingo, 17, em Manaus. Vogt estava internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) desde o último dia 13 de janeiro com infecção bacteriana.

Chamado carinhosamente de “Dick”, Richard também era pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa). Vogt tinha 71 anos e não há confirmações de que ele tenha sido vítima de Covid-19. Ele era natural dos Estados Unidos e antes de vir ao Brasil passou por diversos países.

Considerado um dos maiores especialistas de quelônios do mundo, o cientista esteve envolvido em duas das mais importantes descobertas na área de estudos das tartarugas de água doce.

Descobertas

Em 1979, junto com James J. Bull, pesquisador e professor da Universidade do Texas, em Austin (EUA), constataram que a determinação do sexo das tartarugas se dá pelo tempo de incubação dos ovos de acordo com a temperatura.

Em 2012, Vogt e a doutoranda do Inpa, Camila Ferrara, foram os primeiros pesquisadores a comprovar que há comunicação acústica entre as tartarugas-da-amazônia. Em 2014, a dupla também comprovou que as tartarugas mantêm um comportamento parental entre mães e filhotes.

Além das descobertas, Richard Carl Vogt recebeu o prêmio Behler de Conservação de Tartarugas, nos Estados Unidos, sendo autor de mais de 100 artigos científico, além de doze livros em inglês, português e espanhol.

Nota

A direção do Inpa divulgou uma nota de pesar, além de mensagens de despedida e biografia do Dr. Richard Vogt. “O Programa de Coleções Científicas e Biológicas do Inpa lamenta a perda do grande pesquisador e curador da Coleção de Anfíbios e Répteis, Dr. Richard Carl Vogt”, diz trecho.

“Dick como era conhecido por todos, desenvolveu um longo programa de pesquisa reconhecido internacionalmente sobre a biologia e conservação dos quelônios continentais. Através de inúmeras parcerias, Dick desenvolveu pesquisas que são referência para a conservação dos quelônios amazônicos, tendo estabelecido programas de monitoramento de longo prazo e atuado na formação de dezenas de cientistas no Brasil”, completou.