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29 de janeiro de 2022
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Com informações do O Globo

SÃO PAULO – Se o Brasil continuar aplicando vacinas contra Covid-19 no ritmo alcançado em junho, com 989,5 mil doses por dia em média, em 5 de dezembro o País terá vacinado plenamente, ou seja, com as duas doses, 70% da sua população: o limiar estimado para a chamada imunidade coletiva, capaz de frear a taxa de contágio da pandemia.

Apesar de ter começado a campanha com um quinto dessa velocidade e ter oscilado até aqui, especialistas acreditam que agora existem condições para que esse ritmo se mantenha e talvez seja até ampliado.

“Tendo vacina disponível, tenho certeza de que a gente consegue manter esse ritmo”, afirma Juarez Cunha, presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm). “A campanha de vacinação da gripe está terminando agora, e vai livrar uma força de trabalho para cuidar da vacinação de Covid-19. Além disso, agora estamos vacinando por critério de idade, que é bem mais fácil de administrar do que o das comorbidades, que envolve exames, atestados”, afirmou.

A disponibilidade de vacina, porém, ainda é um fator de incerteza que pode atrapalhar os planos para 2021. O cronograma atual de entregas do Ministério da Saúde daria conta de manter aplicação de 1 milhão de doses por dia, mas em meses anteriores as previsões foram revistas várias vezes.

“A previsão depende dos laboratórios. Eles são obrigados a dizer quanto vão entregar por mês, mas em função da pandemia todos eles colocaram nos contratos uma cláusula estabelecendo que não podem nem ser punidos se houver atraso. É uma situação peculiar que estamos vivendo”, diz a epidemiologista Carla Domingues, que coordenou o Programa Nacional de Imunização (PNI) de 2011 a 2019.

José Cássio de Moraes, professor da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, está um pouco mais otimista com o cumprimento dos contratos.

“O risco de ocorrer problemas no segundo semestre provavelmente é menor, porque Europa, EUA e outros países ricos já terão vacinado muita gente, e pode sobrar mais vacina para entregas no Brasil”, afirma o epidemiologista.

A projeção de vacinar 70% da população até 5 de dezembro depende também da entrega de ao menos 30 milhões dos 38 milhões de unidades de vacina contratadas com a Janssen (Johnson & Johnson). Como o produto da empresa foi aprovado para uso com uma única dose, quem recebe uma aplicação já é considerado plenamente vacinado.

Se as vacinas da Janssen não chegarem todas até o início de novembro, a previsão de atingir o limiar dos 70% se move para depois do Natal, em janeiro.

Alguns especialistas acreditam que é possível vacinar ainda mais rapidamente. Um exemplo foi dado anteontem, quando o País superou pela primeira vez a marca de 2 milhões de vacinas de Covid-19 aplicadas num único dia.

“Eu sempre falei que a nossa capacidade era de 1 milhão e, pela nossa experiência, a gente poderia chegar a 2 milhões, usando essa estratégia que a gente está vendo agora, como drive-thru e vacinação extramuro”, afirma Domingues.

Nas contas de Moraes, com vacina disponível, é possível acelerar a vacinação mesmo sem infraestrutura especial.

“Nós temos no País 36 mil postos de vacinação, e um vacinador consegue aplicar sem correria mais de 50 doses por dia. Muitos postos têm mais de um vacinador”, diz o pesquisador. “Aplicar 2 milhões de doses por dia é uma meta tranquila, desde que exista vacina para isso e logística adequada”, explicou.

Alguns fatores além do suprimento do produto, porém, preocupam os especialistas. Um deles é a lacuna relativamente grande entre pessoas que já tomaram a segunda dose e as que só apareceram para a primeira e estão fora do prazo para a segunda.

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