6 de março de 2021

Com informações do O Estado de S. Paulo

MOSCOU – A Rússia aprovou neste sábado, 20, uma terceira vacina contra o coronavírus para uso doméstico, conforme disse o primeiro-ministro Mikhail Mishustin na TV estatal. Os testes clínicos em larga escala da vacina rotulada CoviVac, porém, ainda não começaram.

A vacina é produzida pelo Centro Chumakov,  fundado em 1955 em São Petesburgo por Mikhail Chumakov,  conhecido por seu trabalho com o cientista americano Albert Sabin no auge da Guerra Fria, que levou à produção da vacina contra a poliomielite amplamente utilizada.

O país já aprovou duas vacinas para covid-19, incluindo a Sputnik V, desenvolvida pelo Instituto Gamaleya de Moscou – e seguindo uma abordagem semelhante de conceder aprovação antes de ver qualquer resultado de teste em estágio final. E uma segunda vacina, desenvolvida pelo Instituto Vector, centro de pesquisa em virologia e biotecnologia da Sibéria.

Sputnik V foi aprovado em agosto do ano passado e os testes em estágio final começaram somente em setembro. No mesmo mês, o país afirmou ter finalizado os testes clínicos da vacina do Instituto Vector.

A vacinação em massa foi lançada em dezembro, após resultados preliminares mostrarem que Sputnik V era 91,4% eficaz. Até então, de acordo com o ministro da Saúde Mikhail Murashko, mais de dois milhões de russos foram vacinados com pelo menos a primeira dose da vacina.

Diferente tipo de vacina

Ao contrário da Sputnik V, que usa um vírus frio inofensivo modificado que engana o corpo a produzir antígenos para ajudar o sistema imunológico a se preparar para uma infecção por coronavírus, a CoviVac é uma vacina de “virion integral“, o que significa que ela é feita de um coronavírus que foi inativado ou despojado de sua capacidade de se replicar.

“A vacina que desenvolvemos reflete toda a história da ciência das vacinas russa, bem como global”, disse o diretor do Centro Chumakov, Aidar Ishmukhametov.

A vantagem, segundo o virologista Alexander Chepurnov, é que o CoviVac inclui todos os elementos do vírus, criando uma resposta imune mais ampla que provavelmente protegerá contra quaisquer variantes. No entanto, testar vacinas da Rússia contra variantes que surgiram no Reino Unido, África do Sul e em outros lugares ainda está em seus estágios iniciais.

O presidente Vladimir Putin ordenou na última segunda-feira, 15, que uma revisão das vacinas russas seja apresentada até 15 de março, avaliando sua capacidade de proteger contra as novas variantes.