27 de outubro de 2020

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Mencius Melo – Da Revista Cenarium

MANAUS – Hoje é dia da santa que protege os pobres e os endividados. Hoje é dia de Santa Edwiges, reverenciada por milhões de brasileiros. A REVISTA CENARIUM foi às ruas para saber o tamanho da fé de muitos dos que recorrem santidade, afinal de contas, se antes da pandemia a situação financeira já estava difícil, com a pandemia ficou pior.

O empresário e produtor de eventos Vanderlei Alvino não é devoto de Santa Edwiges, mas estuda a possibilidade de passar a adorar a santa. “Na atual conjuntura eu não descarto. É muita lisura!”, reclamou o empresário que atua na área de eventos culturais. O mercado de shows foi o primeiro a parar com a pandemia do novo Coronavírus.

A Santa Edwiges, o artesão Adenilson Ribeiro não pediria pelas dívidas e sim pelo fim da pandemia (Reprodução/Arquivo Pessoal)

O artesão Adenilson Ribeiro é devoto por convicção. “Sou católico apostólico romano”, declarou. Ele conta que não está com muitos problemas. “Estou um pouquinho endividado”, confessou. “Mas se encontrasse com Santa eu não pediria por mim, pediria apenas uma coisa: “Pediria a ela que levasse esse maldito vírus”, afirmou.

Pediria um milagre

O empresário e chef de cozinha Alysson Lima diz que se encontrasse com a Santa Edwiges, a primeira coisa que pediria seria um milagre. “Pediria que todas as pessoas que estão me devendo, me pagassem para eu poder pagar as minhas próprias dívidas”, declarou o proprietário da casa Quiosque Beer, boteco balado das noites manauaras.

De acordo com ele, não quer “sobrecarregar” a santa. “Se tiver dívidas que elas sejam pequenas e controladas”, adiantou o chef. Por isso ele faz planos para não ter que recorrer à padroeira. “Eu vou evitar ser devoto dela porque quero pagar tudo o que devo e se eu continuar devoto, é sinal que ainda estou devendo”, declarou aos risos.

Para ele, o melhor mesmo é evitar recorrer ao santo porque quando isso acontece, é porque algo não está saindo como planejado. “Quero organizar bem as minhas finanças e poder voltar ao mercado com meu boteco de forma ativa aliás, eu e todos os empresários e microempresários que vivem da noite manauara”, ponderou.

O chef Alysson não quer ficar ‘sobrecarregando’ a santa, por isso o melhor é pagar as dívidas (Reprodução/Arquivo pessoal)

Padroeira dos pobres e endividados

Nascida no período Medieval, em 1174, Edwiges foi uma mulher que marcou seu tempo. De família nobre, rica, assistiu à miséria a tomar formas diferentes nas pessoas que conhecia, convivia e amava. Aos 12 anos, casou-se com Henrique, duque europeu. Tornou-se então princesa da Silésia, país de Lebuska, atual Polônia.

Eeducada no catolicismo e dona de uma fé inabalável, Edwiges aproveitava as prolongadas ausências do marido, que saía para lutar nas guerras, para visitar famílias em condições de miséria e buscar o socorro para cada uma delas. Nessas visitas, descobriu que os maiores problemas enfrentados pelas famílias estavam relacionados à falta de dinheiro.

Sem ter como pagar as dívidas, muitos eram presos e suas famílias ficavam abandonadas, sem ter a quem recorrer. Edwiges pagava as dívidas dos presidiários com o dinheiro de seu dote. Na época, a família da noiva oferecia um dote ao noivo, mas, no caso de Edwiges, o marido deixou que ela usasse o dinheiro como quisesse. 

A fé de Edwiges motivou muitos pedidos de pessoas ao seu redor e, depois de sua morte, alguns milagres foram reconhecidos pela Igreja Católica, que a declarou santa em 1.267. Até hoje, seu corpo é venerado no Convento de Trébnitz, na Polônia, e existem igrejas no mundo inteiro dedicadas à santa.

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