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21 de novembro de 2021
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Priscilla Peixoto – Da Cenarium

MANAUS – A saúde mental da população LGBTQIA+ sofreu piora na pandemia, é o que aponta a pesquisa “Diagnóstico LGBT+ na pandemia”, divulgada e realizada pelo coletivo #VoteLGBT, com ajuda da Box1824, no fim de junho. O estudo apontou que 55,1% da população teve uma piora na saúde mental, um aumento de 8% em relação a mesma pesquisa de 2020, quando o índice era de 47%.

Para o psicólogo Adan Silva, que analisou dados do levantamento, existem questões cruciais como a marginalização da pessoa LGBTQIA+, a invisibilidade e a exclusão familiar, que contribuem para a confirmação negativa da pesquisa.

“Imagine um LGBT que mora com uma família que a rejeita por conta disso. A pandemia obriga aquela pessoa a ficar no mesmo ambiente onde ela não é acolhida, muito provavelmente vai desenvolver uma depressão, e sofrer um isolamento dentro de outro isolamento. Essas questões são pontos que fazem com que o sofrimento seja maior e mais intenso para essa parcela específica da sociedade”, explica Adan.

Leia também: Seis em cada dez LGBTQIA+ já cancelaram viagens por insegurança, diz pesquisa

O estudo aponta que 55,1% da população teve uma piora na saúde mental em 2021 (Reprodução/Istock)

Saúde mental

Outro fator pontuado pelo profissional da psicologia é a escassez de uma ajuda profissional nesse período. Além disso, ele explica que é necessário a diminuição da homofobia que por diversas vezes, quando não mata, adoece seriamente o indivíduo que passa por massivas situações constrangedoras e difíceis ao longo da vida.

“Se você passar uma hora na terapia e outras 23 horas passando por sofrimento e opressão, essa realidade material não vai ser alterada substancialmente. Por muitas vezes esse apoio acaba sendo só um paliativo diante de uma realidade homofóbica. Precisamos atentar que um acompanhamento psicológico é efetivo quando são demandas que dependem mais do sujeito. Enquanto essa estrutura LGBTQIfóbica da sociedade não mudar, nada vai melhorar tão rápido como gostaríamos”, ressalta.

Dados e outros fatores

Ainda de acordo com estudo, 30% das pessoas possuíam diagnóstico prévio de depressão e 47,5% para ansiedade. Um aumento de 2% comparado com dados do ano anterior, para cada uma das condições clínicas, quando a depressão marcava a média de 28% e a ansiedade 45,3%.

Em relação a outros fatores que levam a piora mental e emocional dos entrevistados para a pesquisa, a insegurança alimentar, a falta de oportunidade no mercado de trabalho, a diminuição na renda, a perda de amigos e familiares para a Covid-19 também foram outras causas citadas no levantamento.

Segundo o estudo, 6 em cada 10 pessoas LGBTQIA+ sofreram uma perda ou brusca diminuição na renda por conta da pandemia. Cerca de 59,4% se encontra sem emprego há pelo menos um ano. Se tratando da insegurança alimentar, a precariedade atinge 41,5% dessa população, e chega até 56,8% entre pessoas trans. 

“A pessoa transexual não consegue oportunidade no mercado de trabalho, porque a sociedade reproduz essa transfobia estrutural e já julga só por ser trans. Não existe apoio mental que consiga suprir a necessidade financeira da pessoa que precisa pagar suas contas, comer e manter todas as despesas de uma forma digna. São questões que precisam ser olhadas com mais atenção”, finaliza o psicólogo que orienta a procura por ajuda profissional.