Sem fluxo de clientes por conta da pandemia, comércio do AM tem perda de 41% no Dia das Mães

Carolina Givone – Da Revista Cenarium

MANAUS – A queda atípica de 41% das vendas do comércio durante o dia das mães, data considerada tradicionalmente como o “Natal” do primeiro semestre, é justificada por conta do isolamento social. O afastamento do fluxo de clientes das lojas, causado pela pandemia da Covid-19, podem fazer setores como eletrodomésticos, telefonia, casa e decoração perder cerca de R$ 3,7 bilhões em vendas.

No levantamento do instituto Boa Vista, empresa responsável por crédito e cobrança, foram comparados dados do comércio no mesmo período do ano passado. Em 2019, com relação a 2018, houve um acréscimo de 1,7%, para pode comparar o tamanho do “tombo” deste ano.

Ainda de acordo com estimativas da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o levantamento divulgado pelo Boa Vista, confirma as previsões da entidade.

O quadro da CNC especulava quedas de quase 60%, e a Federação do Comércio do Amazonas também previa um prejuízo na casa dos R$ 3,7 bilhões.

Pior março desde 2003

Uma pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra que em março deste ano, as vendas do comércio brasileiro caíram 2,5%, empurrada pelos efeitos da pandemia da Covid-19. Segundo o instituto, este é o pior desempenho desde março de 2003.

No levantamento realizado com oito setores, apenas dois, o de supermercados e produtos de higiene e limpeza cresceram. As vendas de Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo subiram 14,6%, os demais amargaram queda.

Na comparação com março do ano passado, o recuo nas vendas foi de 1,2%. Em 2020, as vendas do varejo ainda acumulam alta de 1,6%. Em 12 meses, o aumento é de 2,1%.

Esse é o quarto resultado obtido das pesquisas, que avaliam o peso do isolamento social sobre a economia brasileira, desde que a Organização Mundial de Saúde (OMS) decretou pandemia no dia 11 de março.

“Março foi bastante impactado pela estratégia de isolamento social adotada em algumas das cidades mais importantes e populosas a partir da segunda quinzena do mês” , diz o gerente da pesquisa, Cristiano Santos, acrescentando que 14,5% das empresas apontaram a Covid-19 como a principal causa de variação das suas receitas.

O isolamento teve impactos distintos, diz o IBGE. Atividades que tiveram lojas físicas fechadas registraram grandes recuos. É o caso de Tecidos, vestuário e calçados (-42,2%), Livros, jornais, revistas e papelaria (-36,1%) e outros artigos de uso pessoal e doméstico (-27,4%).

Os resultados de março foram impactados negativamente apenas no final do mês, quando foram iniciadas as restrições ao funcionamento de comércio e serviços. A expectativa é que em abril, com a maior parte dos estados já em isolamento durante todo o mês, os efeitos sejam ainda maiores.

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