6 de março de 2021

Paula Litaiff – Da Revista Cenarium

MANAUS – Depois de ser acionado pela Procuradoria-Geral do Estado do Amazonas (PGE/AM) para apresentar provas das acusações de “eutanásia” em pacientes com Covid-19 em hospitais da rede estadual, o presidente do Sindicato dos Médicos (Simeam), Mário Vianna, voltou atrás.

Ao tentar se explicar, o sindicalista atribui a informação a outra médica – sem nominar – que, segundo ele, produziu um vídeo com a informação. O pronunciamento de Vianna veio em forma de coletiva de imprensa nessa quarta-feira, 27, quando ele convidou jornalistas para o ouvirem falar.

“Ela (a médica) falou uma coisa que não me parece correta (…) O nome da médica, que fez a denúncia e que gerou a minha manifestação no vídeo, eu não sei e não tenho obrigação de saber”, esquivou-se o presidente do Simeam.

Principal representante, em tese, da classe de médicos no Estado, Mário Vianna admitiu que sequer apurou a declaração da colega. “A PGE e os órgãos de Justiça que têm que ir atrás. A Procuradoria quer que eu dê nome. Eu não darei nomes. Não sou obrigado a dar nomes”, disse o médico, que aproveitou a presença da imprensa para dizer que sua missão é depor o governador do Estado, Wilson Lima (PSC).

Verdadeiro alvo

“Fiz meu papel, vou continuar a fazer. Apresentei meu pedido de impeachment  duas vezes e vou continuar”, disse o médico que foi notificado pela PGE a apresentar material que respalde as declarações que fez sobre eutanásia, sob pena de responder criminalmente. Ele, também, é acusado por colegas de agir irresponsavelmente, comprometendo a classe.

Vianna é aliado do ex-governador Amazonino Mendes (Podemos) e desde que o político amazonense perdeu a eleição para o governo, em 2018, vem sendo usado pela oposição para derrubar o atual chefe do Executivo Estadual. Ele é autor de dois pedidos de impeachment  contra Wilson Lima.

Omissões passadas

Apesar de estar na presidência do Sindicato dos Médicos há, aproximadamente, sete anos, Mário Vianna não mostrou a mesma atuação em governos anteriores, incluindo a gestão do ex-governador José Melo (2014-2017), preso por desvios de mais de R$ 100 milhões da Secretaria de Estado de Saúde. Vianna e Melo eram amigos pessoais.

Na coletiva de imprensa de ontem, ele deixou de dizer que a degradação do sistema de Saúde no Amazonas é fruto principalmente de administrações passadas. O atual governador do Estado assumiu o cargo há dois anos.

Faltaram investimentos

A consecutiva falta de investimentos dos últimos dez anos gerou, segundo especialistas, o sucateamento da estrutura hospitalar nos 61 municípios do interior do Amazonas, repercutindo diretamente na falta de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs), principal demanda para atender pacientes de Covid-19, atualmente.  

Governador do Amazonas por três vezes, Amazonino Mendes não é citado em discursos do presidente do Simeam. Hoje, o Estado conta com um número reduzido de médicos e outros profissionais de Saúde para atuar na pandemia, resultado da falta de concursos públicos de gestões anteriores.

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