4 de março de 2021

Victória Sales – Da Revista Cenarium

MANAUS – Mesmo ainda tentando se recuperar da segunda onda causada pelo novo Coronavírus, cientistas entrevistados pela REVISTA CENARIUM nesta segunda-feira, 1º, avaliam que Manaus pode caminhar para um terceiro pico da Covid-19, caso a segunda dose do imunizante não seja administrado na população em tempo hábil.

De acordo com o infectologista, Nelson Barbosa, a terceira onda só deve ocorrer caso não haja de fato a aplicação da vacina em pessoas que já receberam a primeira dose. “Sem segunda dose da vacina podemos ter uma terceira onda. Você precisa tomar a dose de reforço que é para justamente, se ocorrer outra onda da Covid-19, não seja letal como está sendo”, destacou o médico.

Nelson reforça também que é fundamental continuar seguindo os protocolos de seguranças da Organização Mundial da Saúde (OMS). “É preciso que a sociedade continue usando máscara, lavando a mão com água e sabão, além do álcool em gel, pois até dezembro nós ainda teremos casos de Covid-19 acontecendo”, salientou o infectologista.

Estudo

Um estudo publicado na revista científica The Lancet, nesta segunda-feira, 1º, revela que um novo surto de Covid-19 na capital pode estar ligado à nova variante do vírus, potencialmente mais transmissível. A publicação contrasta com estudo divulgado pela plataforma medRxiv, em setembro de 2020, em que apontava “imunidade de rebanho” na população de Manaus.

A nova publicação também alerta para perda de anticorpos dos infectados na primeira onda da doença, em abril do ano passado. Com isso, os pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) recomendam um aumento da vigilância sorológica e genômica para entender a dinâmica da nova linhagem do vírus, sua capacidade de reinfecção e o efeito das vacinas.

O aumento do número de internações por covid-19 em Manaus, no Amazonas, de 552 em dezembro para 3.431 em janeiro, tem surpreendido e preocupado os cientistas. O texto apresenta quatro hipóteses não excludentes para o surto de covid-19 que começou em dezembro na cidade de Manaus. A primeira é que a taxa de ataque, isto é, o número de pessoas infectadas, foi superestimada durante a primeira onda da doença, em abril do ano passado.

“Esta é sempre uma possibilidade, porém pelo menos 50% das pessoas mostravam anticorpos em junho, e esse valor seria grande o suficiente para evitar uma segunda onda, mesmo que a taxa não tivesse chegado a 76% em outubro”, afirma ao Jornal da USP a professora Ester Sabino, do Instituto de Medicina Tropical (IMT) e da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), primeira autora do texto.