6 de março de 2021

Com informações da Folha de S.Paulo

WASHINGTON – Donald Trump acumulou ineditismos e entrou mais uma vez para a história americana. Neste sábado, 13, o ex-presidente dos EUA seguiu o roteiro esperado e foi absolvido pelo Senado em seu segundo julgamento de impeachment.

Por 57 votos a favor da condenação e 43 contra, em uma votação nominal, Trump se livrou da acusação de ter incitado a violenta invasão do Capitólio, em 6 de janeiro, no maior ataque à democracia do país desde a Guerra Civil. O Senado americano está hoje dividido entre 50 democratas e 50 republicanos e, para o impeachment, eram necessários 67 dos 100 votos da Casa.

​O resultado cristaliza o forte poder e influência que o líder mais controverso da história americana ainda tem sobre o Partido Republicano que tem se radicalizado à direita.

Foram sete os republicanos que votaram a favor da condenação: Richard Burr (Carolina do Norte), Susan Collins (Maine), Bill Cassidy (Lousiana), Lisa Murkowski (Alasca), Mitt Romney (Utah), Ben Sasse (Nebraska) e Pat Toomey (Pensilvânia). No julgamento do primeiro processo de impeachment contra Trump, em fevereiro de 2020, apenas Romney tinha ido contra o então presidente.

Nunca na história tantos senadores do partido do presidente votaram contra seu correligionário em uma votação de impeachment. Esta também foi a primeira vez, desde 1868, que a maior parte do Senado votou pela condenação de um líder americano —apesar de os votos não terem chegado à maioria qualificada de dois terços do plenário para declará-lo culpado.

Impeachment

Trump se tornou o primeiro presidente a enfrentar dois processos de impeachment —um deles concluído com ele já fora do cargo— e agora seu desafio é permanecer no comando da direita populista americana até 2024, se quiser concorrer mais uma vez à Casa Branca.

Em sua primeira manifestação após o resultado, Trump sinalizou exatamente para sua base mais radical. “Essa foi mais uma fase da maior caça às bruxas da história do nosso país. Nenhum presidente passou por qualquer coisa parecida com isso”, afirmou ele em um comunicado. “Nosso histórico, patriótico e lindo movimento para Fazer a América Grande de Novo (seu slogan de campanha) apenas começou”, completou.