6 de março de 2021

Com informações BBC Brasil

SÃO PAULO – O sistema de saúde de Rondônia está em colapso. Não há leitos disponíveis para pacientes e faltam médicos e enfermeiros para atender nas unidades de saúde. Especialistas apontam que o Estado vive o período mais difícil desde o início da pandemia e que não há previsão, ao menos por enquanto, de melhora no cenário.

Diante da atual situação, pacientes tiveram de ser transferidos para outros lugares e o governo de Rondônia pediu ajuda ao Ministério da Saúde para conseguir médicos.

Pacientes internados em Rondônia tiveram de ser transferidos a outros Estados por falta de leitos (Reprodução/ Diego Vara)

“É o período mais difícil (da pandemia). O sistema de saúde não havia colapsado antes”, explica o infectologista Juan Miguel Villalobos, pesquisador da Fiocruz Rondônia e professor da Universidade Federal de Rondônia. No último fim de semana, havia 42 pacientes à espera de um leito no Estado.

Para pesquisadores e profissionais de saúde, o colapso em Rondônia se deve a alguns fatores: a baixa adesão ao isolamento social desde novembro de 2020, as dificuldades para contratar profissionais de saúde e um possível impacto de uma nova variante do coronavírus, detectada recentemente em Manaus (AM).

Em meio à atual situação do sistema de saúde, o Ministério Público estadual afirma ter encontrado indícios de que o governo de Rondônia divulgou indevidamente, entre dezembro e janeiro, leitos clínicos e de UTI que estavam inativos como se estivessem disponíveis com o objetivo de evitar a adoção de novas medidas de isolamento social.

Colapso no sistema de saúde

Os casos de covid-19 passaram a crescer consideravelmente em Rondônia desde o fim do ano passado, segundo especialistas. Logo no início do ano, a situação no Estado passou a ser considerada preocupante por profissionais de saúde da região.

Até quarta-feira, 27, Rondônia, que tem cerca de 1,7 milhão de habitantes, registrou 121 mil infecções pelo novo coronavírus e 2.167 mortes, segundo o Ministério da Saúde.

Há relatos sobre dificuldades para conseguir vagas em hospitais do Estado há, ao menos, duas semanas. Diante do preocupante aumento de casos, o governo de Rondônia decidiu reabrir leitos do hospital de campanha para receber pacientes infectados pelo novo coronavírus.

Segundo a Secretaria Estadual de Saúde, a unidade de campanha possui 24 leitos de UTI e três para a estabilização de pacientes, além de 71 leitos clínicos.

Em todo o Estado, há leitos que não estão em funcionamento por falta de profissionais de saúde, segundo a Secretaria de Saúde de Rondônia. Em nota à BBC News Brasil, a pasta relata que há, por exemplo, uma unidade com 30 leitos de UTI, “dos quais 25 estão ocupados e os outros estão montados e equipados”, mas inativos por “dificuldades para contratar médicos”.

Conforme a pasta, diversos profissionais de saúde foram convocados por meio de editais de chamamento para início imediato. Porém, segundo a secretaria, o número de médicos que se apresentaram foi insuficiente para suprir a atual demanda do Estado.

No último sábado, 23, o governo de Rondônia pediu ajuda para transferir pacientes para outros lugares.

Desde segunda-feira, 25, 13 pacientes foram transferidos para Curitiba (PR), nove para Porto Alegre (RS) e dois para Cuiabá (MT). Entre esses casos há pessoas em situações consideradas moderadas ou graves.

Diante do atual cenário de ocupação de 100% dos leitos de UTI e 79,8% dos clínicos (destinados a pacientes com menos gravidade) no Estado, há previsão de novas transferências de pacientes para outras unidades de saúde pelo país.

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