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19 de junho de 2021
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Marcela Leiros – Da Revista Cenarium

MANAUS – A “onda” de violência que assola Manaus desde a noite de sábado, 5, e madrugada deste domingo, 6, assustou moradores e populares que presenciaram os atos. Incêndios criminosos foram registrados em várias zonas da capital amazonense, tanto em veículos de transporte coletivo quanto em prédios públicos. À CENARIUM, testemunhas dos crimes narraram momentos de terror e detalharam como os criminosos agiram.

O bairro Compensa, na zona Oeste, foi a parte da cidade que mais registrou ataques, principalmente uma agência bancária e um distrito de obras da Prefeitura de Manaus. No depósito da prefeitura, cinco suspeitos atearam fogo em uma retroescavadeira e no escritório da administração do local. Os criminosos ainda despejaram gasolina em um vigia que trabalhava no imóvel. O incêndio foi apagado pelo Corpo de Bombeiros. (veja as imagens na galeria abaixo)

“Quem estava aqui era o vigia, que tem medo de falar. Cinco caras chegaram aqui, arrombaram a porta e saíram derramando a gasolina na retroescavadeira, arrombaram essa porta aqui da frente, jogaram gasolina no vigia, mas ele conseguiu escapar. O ‘setor’ aqui é dividido [entre as facções] e virou um cenário e guerra””, contou um morador* que reside na área há 24 anos.

Além da agência do Bradesco, também foram registrados ataques a uma agência da Caixa na rua 21 do bairro Japiim, zona Sul, e agência do Banco do Brasil, na rua Guilherme Moreira, no Centro da capital amazonense. Pelo menos quatro ataques em outras agências bancárias ao redor das áreas centrais da cidade também foram identificados.

‘Suspeitos mascarados’

Um dos veículos de transporte coletivo incendiados estava estacionado na Alameda Santa Rita, no bairro Alvorada, zona Centro-Oeste de Manaus. O ataque ocorreu por volta das 12h. Um moradora* do local contou que dois homens mascarados atearam fogo no veículo e fugiram para uma viela nas proximidades.

“Passaram dois rapazes, bem baixinhos, soltaram o fogo e saíram correndo. Agora não deu para identificar, porque eles estavam de máscara, aí quando eles vieram para cá começou a pegar fogo. Os dois rapazes foram a pé, mas com certeza deveria ter alguém esperando”, narrou a autônoma, que não quis se identificar.

Ainda de acordo com a moradora, o medo dos populares é que ocorram mais ataques na noite deste domingo. “Estão falando que de noite é que vai acontecer mesmo, tiroteio e tudo por causa desse traficante. Tomara que não mate nenhum inocente”, desejou, preocupada.

Represálias

De acordo com a Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM), a onda de ataques é uma represália dos criminosos pela morte de um traficante conhecido como “Dadinho”. Identificado como Erick Batista Costa, o traficante morreu após confronto com policiais militares da Ronda Ostensiva Cândido Mariano (Rocam) na noite desse sábado no bairro Novo Aleixo, zona Norte de Manaus.

Sobre a ordem para os ataques, o secretário de Segurança Pública, coronel Louismar Bonates, confirmou que o setor de inteligência estadual já identificou que partiu de dentro de um presídio. “Isso foi motivado em razão da morte de um traficante conhecido como Dadinho. A inteligência levantou que essa determinação veio de dentro do presídio. Eu quero informar a eles que, quem for localizado dando essa ordem, será solicitado a transferência dele para presídio federal”, pontuou o secretário.

Um gabinete de crise, formado pela Polícia Militar, Polícia Civil e Corpo de Bombeiros alinha ações que serão tomadas. Informações dão conta de que 17 veículos foram incendiados, sendo 7 ônibus, até a manhã deste domingo. Ninguém ficou ferido nas ações, porém uma ambulância foi atacada por criminosos e os ocupantes foram roubados.

Vandalismo

O  Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram) divulgou nota de repúdio contra o que considerou “atos de vandalismo”, ocorridos nas primeiras horas deste domingo.

“A violência das ações, aparentemente de caráter terrorista, causou pânico nos operadores do serviço, pois há relatos de grupos encapuzados e armados praticando tais atos, sendo que, por isso, toda a frota foi recolhida. Atos dessa natureza, além de serem crimes de dano e ilícitos civis, visam disseminar o medo e inviabilizam o serviço essencial”, diz trecho da publicação.

Por conta do cenário, o serviço de transporte coletivo foi interrompido e de acordo com a nota, “os maiores prejudicados são os usuários do transporte coletivo e os trabalhadores do sistema de transporte, cujas vidas estão em risco. Por fim, pedimos às autoridades públicas competentes imediatas e urgentes providências para a identificação dos criminosos e para a cessação da onda de violência, a fim de que seja viabilizada a normalização do serviço”, finaliza.

*Os nomes das testemunhas foram ocultados para preservar a identidade e garantir a segurança das mesmas