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29 de janeiro de 2022
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Com informações do jornal The Guardian

Ambientalistas estão exigindo ações urgentes para deter a corrida do ouro aquático ao longo de um dos maiores afluentes do rio Amazonas, onde centenas de dragas ilegais de mineração de ouro convergiram em busca do metal precioso.

Leia mais: Dragas no rio Madeira: garimpeiros encontram até 1 grama de ouro por hora no AM

A vasta flotilha – tão grande que um site local a comparava a um bairro flutuante – começou a se formar no rio Madeira no início deste mês, após rumores de que um grande depósito de ouro foi encontrado nas proximidades. “Eles estão ganhando um grama de ouro a hora lá embaixo”, afirma um garimpeiro em uma gravação de áudio obtida pelo jornal Estado de São Paulo.

Danicley Aguiar, um ativista do Greenpeace baseado na Amazônia que sobrevoou a flotilha de mineração na terça-feira, disse que ficou surpreso com a magnitude da operação ilegal ocorrendo a apenas 75 milhas a leste da cidade de Manaus.

“Já vimos esse tipo de coisa antes em outros lugares – mas não nessa escala”, disse Aguiar sobre as centenas de jangadas que viu subindo o leito do rio Madeira perto das cidades de Autazes e Nova Olinda do Norte. “É como um condomínio de dragas de mineração … ocupando praticamente todo o rio”, continua.

Aguiar acrescentou: “Trabalho na Amazônia há 25 anos. Eu nasci aqui e vi muitas coisas terríveis: tanta destruição, tanto desmatamento, tantas minas ilegais. Mas quando você vê uma cena como essa, você tem a sensação de que a Amazônia foi lançada nesta espiral de liberdade para todos. Não há regras. É como se estivéssemos morando em Mad Max.”

Leia mais: MPF recomenda medidas emergenciais de repressão a garimpo no Rio Madeira, em Autazes (AM)

Houve indignação quando as imagens da corrida do ouro ribeirinha se espalharam nas redes sociais. “Basta ver a audácia desses criminosos. A extensão da impunidade ”, tuitou Sônia Bridi, uma renomada jornalista brasileira conhecida por sua cobertura na Amazônia.

André Borges, outro jornalista cuja história ajudou a expor a flotilha de mineração, tuitou: “Estamos testemunhando, em 2021, uma revolta dos garimpeiros com toda a agressividade dos dias da descoberta”.

A indústria de mineração ilegal multimilionária do Brasil se intensificou desde a eleição de Jair Bolsonaro em 2018, um nacionalista de extrema direita que apóia os garimpeiros selvagens que navegam nos rios e nas florestas tropicais da Amazônia em busca de ouro.

Acredita-se que cerca de 20.000 garimpeiros estejam operando dentro da reserva indígena Yanomami supostamente protegida em Roraima, um dos nove estados que compõem a Amazônia brasileira.

O desmatamento também disparou sob o governo de Bolsonaro, que retirou as proteções ambientais e foi acusado de encorajar criminosos ambientais. A destruição da Amazônia atingiu seus níveis mais altos em 15 anos entre 2020 e 2021, quando uma área com mais da metade do tamanho do País de Gales foi perdida.

Na semana passada, o governo Bolsonaro foi acusado de reter deliberadamente novos dados do governo que revelam a escala da crise do desmatamento para evitar a humilhação internacional durante a cúpula do clima da Cop, à qual o presidente do Brasil se recusou a comparecer

Comparação

O filme Mad Max conta que após ser capturado por Immortan Joe, um guerreiro das estradas chamado Max (Tom Hardy) se vê no meio de uma guerra mortal, iniciada pela Imperatriz Furiosa (Charlize Theron) na tentativa se salvar um grupo de garotas. Também tentanto fugir, Max aceita ajudar Furiosa em sua luta contra Joe e se vê dividido entre mais uma vez seguir sozinho seu caminho ou ficar com o grupo.

A história por trás do figurino de “Mad Max” | Lilian Pacce
Filme foi lançado em 2015. (Divulgação)