26 de novembro de 2020

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Da Revista Cenarium*

MANAUS – “Em setembro de 2020, a Gabrielle completou um ano sem crises convulsivas. E com efeitos colaterais zero. Ela come de tudo, bebe de tudo, dorme bem. A parte cognitiva melhorou muito, e também a parte motora”, diz o relato do coronel da Polícia Militar de Pernambuco, Israel de Moura Farias Júnior, pai de uma menina de 7 anos, paciente de microcefalia e que já recebeu dos médicos um diagnóstico de “menos de 24 horas de vida”.

A ironia dessa história é que o único remédio que trouxe qualidade de vida à menina vem da mesma planta que o militar combateu ao longo da carreira: “passei 20 anos erradicando a maconha; hoje ela salva minha filha”.

O coronel Moura ingressou na PM no ano de 1985 na turística cidade de Olinda. Era uma época em que não existia o narcotráfico como hoje. Não havia a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), por exemplo. Em 1992, ele foi transferido para Salgueiro, uma das cidades que compõem o polígono da maconha. 

“Eu nunca tinha visto tanta plantação, aqueles campos verdes no meio da Caatinga. Então começamos a fazer muitas operações, erradicamos milhares de pés. Só o nosso batalhão apreendeu mais armas do que todo o resto da PM de Pernambuco naquele mesmo ano”. 

E aí veio o mosquito do zika vírus

Em 2010, o policial conheceu a atual esposa e, dois anos depois, nasceu a Gabi. Naquela época, um grupo de militares que voltava da missão de paz no Haiti foi para Pernambuco, trazendo o zika vírus. A origem do vírus no Brasil a partir do país caribenho seria comprovada anos mais tarde por um estudo da FioCruz daquele estado.

“O mosquito começou a circular aqui em 2012, então minha filha é um dos primeiros casos de vítima da zika vírus, mas na época a gente não sabia nada disso. A gente sabia apenas que ela tinha uma síndrome rara chamada Dandy Walker (uma malformação cerebral congênita que acomete o cerebelo)”, lembra Israel de Moura.

Foi aí que a saga da família começou…

O coronel conta que ninguém sabia o que era aquela doença e lembra que as pessoas pensavam que a filha era anencéfala, que não tinha cérebro, e isso feria bastante a família. Começaram a pesquisar sobre o assunto e bater de porta em porta dos médicos. 

“Mas a partir do sexto mês, a Gabrielle começou a ter convulsões, essas crianças com microcefalia tem muita convulsão. Então a gente procurou por neuropediatras. Só que aqui existe uma máfia. Começaram a prescrever remédios para controlar o efeito e não a causa. E aí minha filha passou a tomar Depakene, Depakote, e nada resolvia”.

Até que a esposa de Israel descobriu, pesquisando pelas madrugadas, que uma alternativa poderia ser o extrato de Cannabis. “Eu sempre acreditei que a cura estava na natureza. Nós somos praticamente veganos, não tomamos refrigerante, somos atletas. Não bebemos, nem fumamos”, finalizou.

(*) Com informações Cannabis e Saúde

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