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12 de maio de 2021

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Com informações do Portal IG

MANAUS – De acordo com o IBGE, 92% dos trabalhadores domésticos brasileiros são mulheres e 63% deles são negros. Apesar desse perfil, de maioria de mulheres negras se destacar no quadro, o dado não anula a existência de outros perfis atuando na área, como pessoas da comunidade LGBTQIA+ , grupo que também é fragilizado socialmente e está exposto a situações de constrangimento e invisibilidade.

Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o trabalho doméstico remunerado no Brasil é caracterizado por uma atividade precária, com baixos rendimentos, baixa proteção social, discriminação e até assédio.

O caso de Rubem Silva, 42, o Rubinho, é um exemplo do que a instituição defende. Em 2000, ele saiu do Nordeste e foi morar em São Paulo, onde conseguiu um trabalho como empregado doméstico. Em uma situação financeira instável, ele morou durante oito meses na casa dos patrões, o tempo em que trabalhou lá. Nesse período, conta que foi assediado sexualmente cinco vezes pelo marido da patroa.

“Quando ela viajava a trabalho e o marido ficava, ele vinha no meu quarto, de madrugada, que era uma edícula fora da casa, e me obrigava a fazer sexo oral nele. Me ameaçava, dizendo que iria falar para a esposa que eu estava dando em cima dele. Me vi obrigado a fazer aquela situação por não ter onde ficar. Quando cheguei em São Paulo, minha mãe já morava aqui, mas ela não me aceitava [sobre ser gay], então, eu tive que me sujeitar a certos tipos de coisa”, conta Rubinho, que hoje não trabalha mais na área e atua como técnico de enfermagem em um hospital da cidade.

Até 2012, ele trabalhou em várias casas e diz que sempre era recomendado para outras famílias pelo seu serviço bem feito. Em uma dessas indicações, Rubinho conta que recebia muito bem, três vezes mais do que normalmente cobrava para fazer uma faxina, mas também sofria assédio sexual e não sabia o que fazer para evitá-lo, por achar que poderia perder o trabalho e as indicações.

“Os patrões sempre saíam e deixavam a casa livre para eu fazer a faxina, mas o filho deles, que já tinha 32 anos, sempre aparecia e ficava mexendo comigo. Me falava que, se eu contasse alguma para os pais dele, não iriam acreditar em mim e, mais uma vez, eu acabei me sujeitando em fazer o que ele queria, por medo de perder aquele trabalho, aquele dinheiro e ainda ficar mal falado e perder os outros trabalhos que eu também tinha. Era uma rede de pessoas conhecidas que me indicavam uns para os outros”, relembra, ao falar de todo tipo de assédio sexual a que foi submetido por esse homem.