‘Transmutação’: vídeo de trans amazonense Juma Manauara fala sobre unidade e libertação

Priscilla Peixoto – Da Revista Cenarium

MANAUS – A artista trans amazonense Juma Manauara lançou em seu perfil no Instagram, nessa quinta-feira, 4, um vídeo intitulado ‘Transmutação’ que tem como objetivo expressar, por meio da arte, um “grito de liberdade dos transexuais”.

Juma foi recentemente vítima de agressão por conta de homofobia e transfobia em Campinas, São Paulo. A artista resolveu roteirizar um texto escrito antes mesmo do violento episódio ocorrido na última semana, do qual ainda se recupera. A produção audiovisual aborda a imposição, quebra de regra e a possiblidade de viver o próprio legado.

Com uma narrativa simples e leve, a mensagem logo desperta reflexão daqueles que a assistem. “Escrevi quando descobri o sentido de unidade que vem junto com a minha descoberta de gênero, quando eu entendi que eu sou plural porém não sou única, pois existem muitas de mim espalhadas por aí”, explica Juma.

Ela conta que além do sentido de unidade, o vídeo também representa muitas trans que já morreram simplesmente por serem quem são. “Para que eu vivesse hoje, muitas de mim já se foram e acredito estarem vivas em mim e em nós. Elas trilharam suas vidas por esse caminho para que outras vivam uma vida melhor e mais digna”, ressalta a artista.

O material está repercutindo na internet, sendo muito bem recebido e avaliado pelos internautas. A resposta contra violência em forma de arte é também uma mensagem à toda comunidade trans para que continuem suas jornadas e não desistam de ser quem são. “Eu ainda preciso exacerbar minha existência livremente, transbordando minha arte e quem genuinamente eu sou”, finaliza Juma.

Assista ao vídeo:

Vídeo de artista trans Juma Manauara tem boa repercussão entre os internautas

“Foram impostas sobre mim as tuas regras
Hoje eu descubro o manto cisgênero e te peço tréguas
A minha ‘corpa’ trans. já não vive alinhada nas tuas réguas
Depois do legado cis já ter terminado, eu profetizo e determino hoje que toda corpa trans viva seu próprio legado
O que me prendia no ontem me leva hoje aos amanhãs e renasce em mim a perpetuação divina das minha irmãs
Em vida eu celebro a vida que construímos em anos luz, que desde o ventre ainda nua nos traduz
Além de não morrer, hoje eu profetizo que vivamos uma vida justificada no nosso próprio querer
Que coexistamos em paralelo, pois achamos hoje a chave que une esse elo”
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Edição de vídeo/texto/trilha sonora: Juma Manaura
Direção de fotografia: Amonai Rodrigues

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