6 de março de 2021

Carolina Givoni – Da Revista Cenarium

MANAUS – Cancelamentos, adiamentos e prejuízos milionários em festivais de música fazem parte do novo cenário do entretenimento, um dos segmentos que mais movimenta o turismo nas principais capitais do Brasil. Em entrevista à REVISTA CENARIUM nesta terça-feira, 16, entusiastas contam expectativas sobre a recuperação dos planos pós-vacinação.

“Não há muito o que fazer. Claro que queríamos estar viajando e curtindo os shows, só estamos esperando o mundo se curar para aproveitar tudo”, diz a publicitária Larissa Andrade, uma das milhares de compradoras de ingresso para o Lollapalloza, evento previsto para acontecer no autódromo de Interlagos, São Paulo, no ano passado.

Assim como ela, a jornalista Gisele Coutinho também adquiriu ingressos para assistir ao show solo da cantora norte-americana Taylor Swift, marcado para julho de 2020. “Estamos impotentes e ansiosos. É triste criar expectativas, planejar, economizar e sonhar com o dia tão esperado do show e ele ser cancelado. Espero que a vacina traga a normalidade às nossas vidas”, confessa a jovem.

Prejuízos

De acordo com levantamento do Data Sim, um núcleo de pesquisa e organização de dados e informações sobre o mercado da música, apenas em março do ano passado, 536 companhias fizeram o adiamento ou cancelamento de mais de oito mil eventos de música ao vivo em 21 estados do Brasil. O público projetado para esses encontros era de 8 milhões de pessoas, acumulando um prejuízo direto de R$ 483 milhões e afetando cerca de 20 mil profissionais.

536 companhias fizeram o adiamento ou cancelamento de mais de oito mil eventos de música ao vivo em 21 estados do Brasil. (Reprodução/Data Sim)

“É hora de pensarmos coletivamente para identificarmos interesses comuns e nos organizarmos, de maneira orgânica. Não há espaço para pensarmos que uma única iniciativa vai liderar esse processo de cima para baixo. É hora de aproveitarmos as iniciativas que surgiram autonomamente em diversas partes do país para repensar toda a organização política do setor”, sugere Dani Ribas, diretora de pesquisas do DATA SIM.

Turismo em queda

Desde o agravamento da pandemia em março de 2020, as atividades turísticas acumularam um prejuízo de R$ 245,5 bilhões. O setor tem operado apenas com apenas 39% da sua capacidade mensal de geração de receitas, conforme aponta a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

Cabine serve de ponto para fotos em frente ao Teatro Amazonas (Foto: Janailton Falcão/Amazonastur)

Tais perdas de faturamento do turismo cresceram de R$ 13,38 bilhões em março para R$ 36,94 bilhões em abril, até o pico de R$ 37,47 bilhões em maio de 2020. O CNC observou uma melhoria tímida, com decréscimo de R$ 34,18 bilhões em junho, R$ 31,87 bilhões em julho, R$ 29,02 bilhões em agosto, R$ 24,98 bilhões em setembro, R$ 20,73 bilhões em outubro e R$ 16,91 bilhões em novembro.

Soluções

Em entrevista à GZH em junho de 2020, a presidente da Associação Brasileira de Turismólogos e Profissionais do Turismo (ABTPT), Lenora Horn Schneider, o novo cenário exigirá conhecimento e criatividade para a criação de novas políticas para o setor.

”Nós temos que buscar uma nova visão juntamente com a iniciativa privada, que são os grandes investidores e que estão sendo afetados também nos seus negócios. Temos que buscar esse novo olhar para que a gente possa organizar melhor a atividade”, disse.

O G1 apurou que faturamento do setor de turismo no Brasil voltou a crescer em setembro, para R$ 12,8 bilhões, registrando o quinto mês seguido de recuperação, segundo dados divulgados pela Confederação Nacional do Comércio (CNC) em novembro.

Com isso, o mês se tornou o melhor nos indicadores, desde o início da pandemia – mas segue abaixo do patamar registrado antes dos tombos registrados entre março e abril, quando o faturamento atingiu o pior mês da história, de R$ 4,078 bilhões. Em fevereiro, havia ficado em R$ 17,806 bilhões.