19 de setembro de 2020

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Luciana Bezerra – Da Revista Cenarium

MANAUS — A quarentena adiou o sonho de muita gente que esperava a tão sonhada viagem de férias para aproveitar o feriado da semana da pátria (7 de Setembro) ou apenas passar um fim de semana longe da rotina diária das atividades profissionais. Mas, este ano, vimos uma enxurrada de restrições de circulação imposta para impedir a propagação do novo Coronavírus, o que fez com que o setor do turismo fosse um dos mais afetados durante a pandemia.

E é no período do verão amazônico, de junho a novembro, que os rios atingem sua capacidade máxima e a região Amazônica fica ainda mais bonita. Apesar de inúmeras praias ficarem submersas em diversos municípios do Estado, há lugares, próximo a Manaus, como a cidade de Novo Airão (a 194 quilômetros da capital amazonense), que é possível apreciar de perto a exuberância da Amazônia.

De acordo com a Organização Mundial de Turismo (OMT), o setor apresentou uma queda de 97% nas viagens turísticas na comparação com o mesmo período do ano passado. Apesar desse declínio, a OMT vê sinais de retomada do turismo no País nos próximos meses.

Com isso, o setor procura readequação para enfrentar a “nova realidade” trazida pela pandemia. Recentemente, algumas cidades turísticas anunciaram a reabertura para receber visitantes, com protocolos sanitários recomendados pelas autoridades sanitárias.

Embora o número de óbitos e de infectados pela Covid-19 tenha reduzido no Amazonas, segundo dados da Fundação de Vigilância em Saúde (FVS-AM), o Estado já foi o epicentro da doença na região Norte e teve os sistemas de Saúde e de Necrotérios colapsados, nos meses de abril e maio.

Se você busca uma imersão intensa pela floresta, com aprendizados na selva, mergulho no Rio Negro, ter a experiência de morar nesse bioma e nenhum contato com a vida exterior, você escolheu o lugar certo.

A Floresta Amazônica é a maior floresta equatorial do planeta e ocupa um total de 6,5 milhões de metros quadrados do território brasileiro (Divulgação/ Anavilhanas Jungle Lodge)

Novo Airão é o destino final para muita gente que visita a Amazônia. A simpática cidadezinha de cerca de 18 mil habitantes é o endereço de alguns dos melhores hotéis de selva amazônicos. O Anavilhanas Jungle Lodge está a 10 quilômetros do Centro. Segundo Klícia Botelho, responsável pelo setor de reservas do hotel, todas as acomodações estão reservadas para este feriado de sete de setembro. “Para este feriadão, não há mais disponibilidade. Por causa da pandemia, as pessoas reservaram porque muitos locais ainda estão fechados. O ideal é reservar com antecedência para os próximos feriados”, alerta Klícia.

Já o Mirante do Gavião fica ainda na cidade, mas no meio do mato. Mas, se o visitante preferir se hospedar no melhor estilo ribeirinho, tem as casas ‘Madadá’ e ‘Apuaú’, em estilo rústico-chique semelhante a residência de um caboclo amazônico, porém, com todo o conforto, luxo e mordomia de um hotel. 

O parque de Anavilhanas situa-se no rio Negro, próximo ao Parque Nacional do Jaú (Ricardo Oliveira/Revista Cenarium)

O que ambos têm em comum, além da arquitetura rústico-muito-chique, é a experiência na selva, aquele cardápio clássico que inclui explorações na floresta, saídas noturnas de barco para ver os bichos da região, pesca de piranha, passeios de canoa pelos igarapés e até, na época da vazante, um dia na praia. Afinal, a localização é estratégica: o quintal de Novo Airão é o Parque Nacional de Anavilhanas, segundo maior arquipélago fluvial do mundo, formado por mais de 400 ilhas espalhadas pelo Rio Negro.

No trajeto de Anavilhanas, estão o Parque Nacional do Jaú, declarado Patrimônio Natural da Humanidade pela Unesco e a Reserva do Xixuaú, acessível pelo Rio Jauaperi, pequeno afluente do Rio Negro que marca a divisa dos estados do Amazonas e de Roraima.

As casas ‘Madadá’ e ‘Apuaú’ têm como vista principal a entrada do Parque Nacional de Anavilhanas. Outra atração do espaço, é no final da tarde, contemplar o lindo pôr do sol e levar de brinde o bailado dos botos rosa que se exibem no flutuante próximo ao local.  

De acordo com a diretora da Amazon Best Homes (AMH), Geyna Brelaz, empresa responsável pelo local, a proposta das casas ‘Madadá’ e ‘Apuaú’ é fazer com que o visitante se envolva com a atmosfera da região Amazônica e passe a viver como um nativo.

A região é recheada de opções para quem busca um turismo de natureza, mas sem perder as atrações da cidade (Ricardo Oliveira/Revista Cenarium)

“A proposta das casas é levar o visitante a ter uma experiência única de morar em uma casa típica estilo pescador. Diferente de hotéis de selva, onde há outros hóspedes no local, o ambiente foi projetado para o hóspede cozinhar, ir na feira orgânica da região, comprar o peixe fresco nos barcos pesqueiros, cultivar a horta como se ele fosse um nativo da região”, destacou a empresária.

Geyna enfatizou ainda que os visitantes estrangeiros, seguido dos amazonenses, são os que mais buscam o espaço. Primeiro, pela experiência de viver como um caboclo nativo das comunidades ribeirinhas do Amazonas. E segundo, porque querem conhecer de perto a exuberância da Amazônia — maior floresta tropical e a maior reserva de biodiversidade do planeta.

Sobre a região

A região do Madadá não é segredo para quem visita o município de Novo Airão. Em Anavilhanas, o lugar é um laboratório de espécimes da fauna e flora da maior floresta tropical do mundo e também dos diferentes cenários da região nos períodos de cheias e vazantes dos rios, além, de ter uma grande variedade de paisagens e locais impressionantes.

A região de Novo Airão tem milhares de atrações turísticas para todos os gostos (Ricardo Oliveira/ Revista Cenarium)

O Centro de Novo Airão é outro ponto de destaque. O visitante encontra as melhores hospedagens, restaurantes e centros turísticos para marcar os passeios pelos parques de Anavilhanas e Jaú. No passeio pelo centro, o visitante pode conferir as lojas de artesanato locais, em que são confeccionados objetos como esteiras, conhecidas como tupés, cestos, balaios, bolsas, luminárias, cadeiras revestidas de fibra e peças utilitárias com matéria-prima local.

O Mirante do Madadá, outro ponto imperdível na região, abriga um quiosque de dois andares e sem paredes laterais, no meio da floresta, para alguns pode ser um tanto desconfortável se pensarmos nos bichos e insetos que podem surgir no meio da madrugada.

Contudo, dormir ouvindo os sons da mata e sentindo a refrescante brisa da selva faz o visitante sentir parte dessa gigantesca natureza que é a floresta Amazônica.

O ponto alto da trilha são as Grutas do Madadá, que é um conjunto de rochas (formadas por grandes blocos de arenitos) envoltos pela vegetação local.

Ruínas de Velho Airão

Não deixe de visitar a cidade fantasma de Velho Airão, fundada no ano de 1694 e que servia como ponto comercial de borracha, extraídas da região do Médio e Alto Rio Negro. Segundo a lenda local, a cidade foi tomada por formigas de fogo, e os habitantes foram forçados a sair da cidade e formar a Novo Airão. Por lá, é possível visitar as ruínas de casarões que hoje se misturam com a floresta, formando assim uma paisagem impressionante.

Parque Nacional de Anavilhanas

O Parque Nacional de Anavilhanas é o segundo maior arquipélago fluvial do mundo, com 400 ilhas, diversos lagos, rios e iguapós, além de uma variedade de fauna e flora impressionantes. Um passeio interessante no parque é alugar um barco movido a motor para viajar pelo labirinto de rios, entre as ilhas, e chegar até o rio Negro – em sua vazante, existem praias incríveis. Na época das cheias, é impressionante observar as florestas inundadas, quando o nível da água chega à copa das árvores.

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