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21 de janeiro de 2022
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Com informações da Revista Veja

Dois pedidos de impeachment na primeira semana do ano. O recorde é de Gladson Cameli, governador do Acre. Nos últimos sete dias, ele conseguiu superar o aliado Jair Bolsonaro, que encerrou 2021 com centena e meia guardados na gaveta de Arthur Lira, presidente da Câmara.

Candidato à reeleição pelo partido de Lira, o Progressistas, Cameli é herdeiro político do tio Orleir, que governou o Acre nos anos 90. Aos 43 anos, já foi senador, deputado federal e lidera as pesquisas na disputa pelo governo estadual. Na política e nos negócios, ele representa a renovação da oligarquia do município de Cruzeiro do Sul, lendária na influência e nos lucros na exploração de madeira no Vale do Juruá, fronteira da Amazônia brasileira com o Peru.

Os pedidos de impeachment apresentados na Assembleia do Acre nesta semana têm como fundamento inquéritos sobre corrupção em andamento no Superior Tribunal de Justiça sob a supervisão da juíza Nancy Andrighi. Numa das peças, Cameli é descrito pela Procuradoria-Geral da República e Polícia Federal como protagonista (“titular ou envolvido”) de duas dezenas de operações financeiras suspeitas realizadas no período 2015 a 2020.

Elas somam R$ 828,3 milhões, quantia excepcional para os padrões da economia do Acre — equivale, por exemplo, a 12% do orçamento do Estado para este ano.

Isso representa metade do valor dos negócios sob investigação. Outra parte está distribuída entre 150 pessoas e empresas. No total, são R$ 1,6 bilhão, conforme a documentação coletada pelo Conselho de Atividades Financeiras (Coaf) e apresentada ao tribunal, em Brasília. A maior parte do dinheiro teria sido desviada desde que Cameli chegou ao governo, em 2019, e concentrada na área de Saúde.

Ele alega inocência, licitude nos negócios privados e correção na condução do governo. Atribui tudo à perseguição de adversários na disputa pelo poder estadual. Cameli controla a assembleia, o que torna improvável o andamento dos pedidos de impeachment. A documentação judicial, porém, expõe o governador do Acre como prova viva das chances de alta lucratividade no circuito de negócios da Amazônia.