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29 de julho de 2021
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Déborah Arruda – Da Cenarium

MANAUS (AM) – A amazonense Bruna Chaves Brelaz, 26, foi eleita a nova presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE) nesse domingo, 18, após a Conferência Extraordinária da entidade. Pedagoga por formação e estudante de Direito, Brelaz é a primeira mulher negra a ocupar a presidência em 84 anos e a segunda pessoa da região Norte a alcançar o cargo.

Em entrevista à CENARIUM, Brelaz explicou que iniciou sua trajetória ainda no movimento secundarista, no Ensino Médio. Conheceu a UNE em 2013 e antes de chegar à presidência passou pela Diretoria de Relações Institucionais e Tesouraria da entidade. Hoje, é filiada à União da Juventude Socialista (UJS) e tem mantido sua luta junto aos movimentos sociais mais expressivos no Brasil. Sua eleição é símbolo marcante para mulheres de todo o Brasil que lutam por um País mais justo.

“O mais importante foi o movimento estudantil entender que é importante dar voz ao Norte. Eu fui a primeira mulher negra, nortista, eleita para a presidência da entidade. Isso tem uma simbologia muito forte, num momento de ataques à Amazônia. A região está com uma desproteção desenfreada, não há atuação do Governo Federal e seus instrumentos legais para defender a preservação”, afirmou.

Segundo Bruna Brelaz, um aspecto importante da luta por melhorias na Educação é ser contrária à atual gestão do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). A jovem relembrou que durante o Governo Bolsonaro, os investimentos para a Educação têm sido cada vez mais escassos, o que prejudica o desenvolvimento educacional da população brasileira. Brelaz coordenou os protestos de 29 de maio, 19 de junho e 3 de julho, a favor do impeachment do presidente.

Rediscussão de Lei de Cotas

Militante da causa educacional, Bruna Brelaz afirmou que uma de suas principais ações à frente da UNE é preparar o movimento estudantil para a discussão da Lei de Cotas, Lei nº 12.711/2012, que deve ser revista em 2022. Para ela, que teve acesso à universidade como cotista, é importante garantir esta porta de entrada às pessoas que fazem parte de grupos de minorias.

“No próximo período, a UNE também vai ter muita importância na discussão de assuntos da Educação. E tem o fator ‘Fora Bolsonaro’, pelas divergências que temos com o atual projeto educacional do Governo Bolsonaro. Não existe complacência do governo em perdoar a dívida de milhares de estudantes endividados pelo Fies (Fundo de Financiamento Estudantil). Houve o corte de bolsas da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), teremos também a rediscussão da Lei de Cotas no ano que vem, um incentivo importante para o ingresso dos negros, indígenas, pobres, nas universidades. Vamos construir mobilizações”, destacou Brelaz.