Participe do nosso grupo no Whatsapp Participe do nosso grupo no Telegram
18 de janeiro de 2022
Ainda não é assinante
Cenarium? Assine já!
ASSINE

Com informações do Portal Alma Preta

SÃO PAULO – A Universidade Zumbi dos Palmares inaugurou, no último final de semana, um centro de pesquisas e estudos para analisar dados sobre segurança pública. O objetivo é propor mudanças nos protocolos que coibam os efeitos do racismo estrutural por trás das recorrentes histórias de brutalidade policial.

“O centro ‘Segurança do Amanhã’ é um desdobramento do movimento ‘Ar: nós queremos respirar’, criado após o assassinato do George Floyd, nos EUA. Neste espaço, a proposta era debater mudanças nos protocolos das polícias, para que estes tipos de abordagens que causavam violência e letalidade, principalmente contra corpos negros, não voltassem a se repetir”, diz o reitor José Vicente, da Universidade Zumbi dos Palmares.

No início de 2021, o comitê foi transformado em um centro de estudos para analisar os processos e métodos dos órgãos de segurança pública. Segundo o reitor José Vicente, a área sofre bastante com a falta de dados.

Além da Universidade Zumbi dos Palmares, que será a sede do novo centro, fazem parte do projeto pesquisadores da Faculdade Getúlio Vargas, e das universidades PUC-SP, Unesp, Unicamp, UFABC, USP e UNIFESP, que vão ajudar na produção de conteúdo e propostas de políticas públicas sobre segurança, igualdade e justiça racial.

“O centro está aberto para produzir debates, trocar informações que possam ajudar na racionalização da segurança pública. Se, em algum momento, a CPI nos convidar para cooperar, seguramente vai ajudar a pensar em propostas sobre a violência policial”, afirma o reitor.

Em sua opinião, o centro também abre um campo para debater a atuação dos últimos governos na gestão da segurança pública, que se desdobrou no encarceramento em massa e no genocídio da população negra.

“Mesmo durante governos de esquerda, que agora têm representantes no centro, foram cometidos erros. A segurança pública foi fiscalizada pelas próprias instituições policiais, com pouca ou nenhuma participação da sociedade. Os governos não apresentaram uma agenda ativa para mudar isso”, pontua Vicente.

Para o reitor, a questão precisa ser analisada de uma forma mais ampla. “É preciso saber o custo e a qualidade de entrega das instituições de segurança pública. Seja em governo de esquerda ou direita, essa é uma questão que não foi debatida. Vamos precisar de muito diálogo para chegar em consensos para esses problemas tão complexos”, acredita.

A Universidade de Cabo Verde aceitou fazer uma parceria de cooperação internacional para debater a segurança ambiental, entre outros temas. De acordo com o reitor José Vicente, o centro também terá espaço para discutir a fundo questões polêmicas como a militarização da polícia e qual a relação disso com a redução da letalidade e índices de criminalidade.

“Historicamente, a militarização está enraizada na segurança pública do Brasil. Em outros países, existem modelos diferentes. A gênesis do Brasil é cheia de conflitos e uma ditadura de mais de 30 anos. A questão é entender como seria possível desmontar essa estrutura militarizada que vê parte da população como um ‘inimigo, e também a ideia de que bandido bom é bandido morto. Depois disso, então, será possível ver quais modelos poderiam ser adaptados para o nosso país”, conclui.