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18 de maio de 2021

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Bruno Pacheco – Da Revista Cenarium

MANAUS – A constante variação no preço do dólar americano tem preocupado empresários do Amazonas. A moeda teve alta de 0,15% nesta terça-feira, 20, sendo vendida a R$ 5,5563. O presidente do Sindicato da Indústria de Panificação e Confeitaria do Estado do Amazonas (Sindipan-AM), Carlos Azevedo, afirma que a matéria-prima para a produção de pães e massas têm sofrido constante aumento e pode elevar custos operacionais.

“O mercado vem passando, desde março de 2020, com a pandemia, com uma perda de receitas muito grande, a qual varia de acordo com o mix [mistura] de produtos. Tivemos casos de retração na ordem de 70% de venda de produtos panificáveis”, comentou Azevedo.

Presidente do Sindicato da Indústria de Panificação e Confeitaria do AM, Carlos Azevedo (Arquivo Pessoal)

De acordo com Carlos, o último reajuste no preço do pão francês foi no 4º trimestre de 2019, com uma variação de 10%. Atualmente, dependendo da localização do estabelecimento e dos custos operacionais, o preço do pão varia de R$ 5,00 a 14,00, ainda conforme dirigente.

Na avaliação de Carlos Azevedo, mesmo sem previsão de reajuste, o temor é com os constantes aumentos da matéria-prima, como a farinha de trigo, água, sal e fermento, que pode elevar os custos operacionais e a empresa sentir a necessidade de realinhamento de preços.

Na produção do pão, a farinha de trigo é a principal matéria-prima e com uma eventual alta do dólar, o preço da farinha é diretamente afetado. Isso ocorre porque o produto é adquirido pela moeda americana e importado pelo Brasil, em sua maioria, da Argentina.

Em Manaus, segundo o Sindpan-AM, há cerca de 1.500 padarias. Dessas, 81 são sindicalizadas. Ainda segundo o presidente do sindicato, existem ainda muitos outros estabelecimentos que são empreendimentos de família.

Com um eventual aumento no preço, pondera Azevedo, quem mais sofre com o aumento é a população de baixa renda, já afetada pela pandemia da Covid-19. “A população que vem sofrendo com a perda do emprego e principalmente recursos para a alimentação de sua família”, salientou.

População de baixa renda é a principal afetada com eventual aumento do preço do pão (Bruno Pacheco/Revista Cenarium)

A gerente de uma padaria no bairro Praça 14 de Janeiro, Deisiane Monteiro, no bairro Praça 14, ressaltou que além do consumidor final ser prejudicado com o aumento do preço, os estabelecimentos também sofrem danos.

“Na verdade, tanto quem compra quanto para quem fornece o pão são prejudicados, por conta do aumento do preço da farinha. Querendo ou não, os clientes já são acostumados com um preço e, com um aumento, existe um certo desconforto em comunicar o novo valor, pois existem clientes que questionam e querem saber o porquê do aumento”, enfatizou.

O consumidor Jonatas Ribeiro, que trabalha como motorista de aplicativo, disse que se houver aumento no preço do pão, a alternativa para não ser impactado é comprar o produto em menos quantidade. “Como trabalho pela tarde como motorista, gosto de comer pão com café ao final do dia. Prezo pela qualidade, mas se o preço aumentar, o jeito é comprar menos ou mudar de padaria”, finalizou.