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23 de outubro de 2021
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Priscilla Peixoto – Da Cenarium

MANAUS- Na semana em que é celebrada o Dia do Combate Nacional ao Estresse, os cuidados com a saúde mental novamente entram em pauta. Em tempos de pandemia, além de outros fatores do cotidiano que intensificam gatilhos e despertam o estresse e a ansiedade, é necessário acender um alerta e redobrar a atenção voltada à mente. Um especialista explica, nesta sexta-feira, 24, métodos que podem auxiliar no alívio da tensão cotidiana.

De acordo com o massoterapeuta holístico credenciado pela Associação Brasileira dos Terapeutas Holísticos (Abrath), Gustav Cervinka, é possível recorrer a algumas técnicas que são efetivas. “Respirar conscientemente é prestar atenção à própria respiração, um recurso de rápido acesso, mas requer vontade e foco. Voltar-se para a respiração não precisa ser encarada como uma atividade árdua”, ensina o terapeuta garantido que a técnica surte bons efeitos.

“Tem pessoas que não estão acostumadas a perceber a própria respiração ao longo do dia, porque suas preocupações são inúmeras. Garanto que se reservar 30 segundos para conseguir respirar de forma mais fluida e consciente, já irão fazer alguma diferença durante o dia”, explica o especialista.

Percepções e alternativas

O massoterapeuta holístico ressalta que a autocobrança e muitas vezes a própria pressa de encontrar tranquilidade, pode bloquear o percurso até o reencontro para o equilíbrio mental e emocional. “É preciso, portanto, uma dose de aceitação e tolerância em relação às próprias condições e/ou limitações. Respeitar-se também faz parte do processo de equilíbrio mental e emocional”, explica o massoterapeuta.

Além de focar na respiração como recurso mais acessível, Gustav Cervinka também indica outros caminhos possíveis de serem adotados para construir uma atmosfera de maior bem-estar, como as práticas meditativas: atividades regulares de massagens, yoga ou uma simples caminhada podem contribuir significativamente para a manutenção da saúde mental.

A respiração é dos principais aliados para aliviar o estresse (Reprodução/Internet)

“Caminhar, e se possível contemplar a paisagem ao redor, partir para alimentação mais consciente (não precisa deixar de ser prazerosa, mas evitar excessos) são métodos que aliados ao tempo fazem com que o próprio olhar da pessoa perante às dificuldades tenha tendência a mudar, alcançando maior tolerância e favorecendo resoluções mais assertivas, além de reduzir drasticamente os riscos de frustrações. Viver o momento presente é urgente. Afinal, é o que de fato existe, o agora” ressalta Cervinka.

Sobre o estresse

Considerado uma epidemia pela Organização Mundial da Saúde (OMS), o estresse é uma defesa natural do organismo, que ocorre em situações de perigo, ameaça, mudança ou instabilidade. Qualquer pessoa está suscetível ao estresse. O que muda é a frequência e a intensidade dos sintomas, podendo afetar o emocional e dependendo do grau, pode necessitar de tratamento médico.

A manifestação do estresse pode acontecer após um acidente traumático, além de rompimentos amorosos, morte ou simplesmente por conta da vida cotidiana agitada. Bem como o excesso de responsabilidades e um ambiente de trabalho ruim. Dentre os sintomas estão:

  • Irritabilidade excessiva
  • Falta de concentração
  • Ansiedade
  • Desorganização
  • Incapacidade de relaxar
  • Alterações de humor
  • Disfunção sexual
  • Dores musculares
  • Dor de cabeça
  • Fadiga
(Reprodução/Internet)

Dependendo da intensidade, há aqueles que conseguem melhorar ou se livrar deste mal apenas com a mudança do estilo de vida e adotando, inclusive, as dicas do especialista acima. Mas vale ressaltar que há quadros mais graves que necessitam de acompanhamento médico.

Dados preocupantes

De acordo com a OMS, cerca de 90% da população mundial sofre com o mal do estresse e, segundo um estudo realizado em 2017, pela Associação Internacional de Gerenciamento de Estresse Brasil (Isma-BR), o Brasil está incluso na lista dos países com maior índice de estresse do mundo, atingindo 70% da população ativa que de alguma forma já apresentou ou não  sintomas de estresse.

O Centro Psicológico de Controle do Stress (IPCS) apontou que, em 2020, 60% das pessoas sofreram de estresse durante a pandemia; outras 57,5% se mostraram mais ansiosas e 26% desenvolveram quadros de depressão.

Para a psicóloga clínica especializada em saúde mental Carolina Peixoto, pensar sobre o estresse emocional é, antes de tudo, entender que esta é uma condição multifatorial, ou seja, depende de contextos biopsicossociais. Isso significa que de forma ampla é preciso entender que os humanos são um corpo inseparável, de uma existência psíquica e que vivem em um contexto familiar, profissional, político e econômico.

A psicóloga ressalta que, além da pandemia, as ferramentas tecnológicas contribuíram para a presença massiva do estresse. “Em um clique, o mundo colocou o ser humano no ritmo acelerado da internet. Se antes a questão era apenas conciliar ritmos intensos de trabalho com uma vida pessoal, no âmbito do isolamento social, o trabalho foi levado para os momentos que antes eram espaços de lazer. Agora, a todo momento, vai chegar o link da reunião ou o WhatsApp do seu chefe”, pontua.

A psicóloga alerta para os sinais emitidos pelo próprio corpo, dando indicações que pausas são importantes. “Corremos o tempo todo pra resolver os prazos de trabalho que só paramos quando o corpo não aguenta e padece. Aí vem o estresse. O que precisamos é desacelerar, sentir novamente o corpo e dar espaço para que criemos vínculos significativos, pois essa sensação gera confiança e segurança. As terapias possíveis vão desde a inclusão na rotina de momentos para meditação e yoga, passando pela escrita terapêutica, dança, teatro e musica”, finaliza a especialista.

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