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25 de novembro de 2021
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Iury Lima – Da Cenarium

VILHENA (RO) – Uma forte ventania, chuva intensa, raios e granizo assustaram os mais de 500 mil moradores da capital de Rondônia, Porto Velho, na última quinta-feira, 28. O temporal acabou classificado como um tornado pelo Centro Gestor e Operacional de Proteção da Amazônia (Censipam). 

Na Escala Fujita, que classifica a intensidade dos tornados, o fenômeno obteve o nível mais brando, que vai de “F0” a “F5”. De acordo com o Censipam, os ventos ficaram em uma média de 50 km/h, mas foram suficientes para destelhar casas, prédios comerciais, derrubar árvores e causar alagamentos. Os momentos de terror duraram poucos minutos. Parte da cidade chegou a ficar sem energia elétrica, pois, segundo a concessionária Energisa, fios de alta tensão foram rompidos.

Força dos ventos destelhou casas e arrancou árvores. (Reprodução/ Redes sociais)

Por meio de nota, a Defesa Civil Municipal disse que apesar dos estragos, não houve vítimas e que os danos materiais foram identificados entre duas avenidas da região central e em bairros da Zona Leste de Porto Velho. “A Defesa Civil faz o acompanhamento nos locais afetados, incluindo com serviços de psicólogos e assistentes sociais, e está sendo feito um levantamento dos danos causados durante o temporal para verificar de que forma o município pode ajudar essas famílias”, destacou outro trecho. 

Há relação com a emergência climática?

Apesar de incomum para o Estado de Rondônia, bem como a região amazônica, a ocorrência de tornados, segundo o meteorologista do Censipam, Marcelo Gama, nada tem a ver com os efeitos das mudanças climáticas debatidas na 26ª Conferência das Nações Unidas, em Glasgow. Ele explica que o fenômeno se deu, apenas, por condições favoráveis.

“O tornado nada mais é do que um grande redemoinho. Ele não é comum aqui na nossa região, apesar de existir, mas não com certa frequência. Ele é mais comum nas regiões Sul, Sudeste e na região central do País. Ele ocorre, geralmente em função do encontro de duas massas: uma massa de ar quente e uma massa de ar frio, e sempre ele se desenvolve em nuvens de extensão vertical, que são as nuvens cumulonimbus, que são muito comuns aqui na nossa região”, detalhou o especialista, referindo-se a um tipo de nuvem que se forma em posição vertical, podendo atingir 10 mil metros de altura desde sua base.

O meteorologista do Censipam, Marcelo Gama, em entrevista à Cenarium. (Iury Lima/Cenarium)

“No momento em que tivermos condições meteorológicas favoráveis para que ocorra esse evento, ele pode voltar. Agora, dependendo da área onde ele atingir, ele pode causar mais ou menos danos”, complementou Gama.

Outro episódio

Esta não é a primeira vez que um fenômeno como este assusta os rondonienses. Em setembro de 2007, outro tornado com ventos de 150 km/h atingiu o município de Ji-Paraná, a 372 quilômetros da capital. O fenômeno causou destruição em uma faixa de dois quilômetros.

Tornado em Ji-Paraná (RO), em 2007. (Reprodução/ Internet)

“Infelizmente, nós não temos um estudo, uma característica, que você mostre ou que você possa se prevenir e prognosticar a chegada de um tornado. Importante é que as pessoas tentem se proteger, dentro de casa, ou em um espaço em que se sintam seguras. A recomendação é evitar sair à rua nessa hora, evitar estar próximo de redes elétricas, porque dependendo da intensidade do tornado, pode haver quedas de postes ou de fios de alta tensão”, alertou Marcelo Gama. 

Veja o prejuízo causado à cidade

(Reprodução/ Redes sociais)