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29 de janeiro de 2022
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Luciana Bezerra – Da Revista Cenarium*

MANAUS – Um vídeo divulgado no Twitter na terça-feira, 8, mostra o desespero dos animais fugindo de uma área sendo devastada pelas labaredas, no Pantanal Matogrossense, onde o incêndio já consumiu 1,8 milhão de hectares e as queimadas dizimaram cerca de 12% da área total do bioma, de acordo com dados do Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), na quinta-feira passada.

O cenário desolador parece cena de um filme de ação, porém, é real e é o pior desastre ecológico registrado nos últimos 22 anos, batendo recorde de destruição no meses de julho e agosto deste ano, no local.

Assista ao vídeo:

(Reprodução/Twitter)

O Inpe por outro lado detectou mais de dez mil focos de queimada desde o início do ano até o dia 3 de setembro, o maior número para o período desde o início dos registros, em 1998. Segundo informações do Inpe divulgada no G1 de Mato Grosso, o pior ainda pode estar por vir. Já que setembro é o mês com a média mais alta de focos – as chuvas na região só costumam chegar na segunda metade de outubro.

Pelo menos em Mato Grosso, 95% da destruição ocorreu em áreas de vegetação nativa: campos de gramíneas e ervas, florestas, palmeiras, arbustos e toda a fauna que se aproveita desses ecossistemas perdidos para as chamas, segundo o Instituto Centro de Vida (ICV).

“Os dados tornaram possível uma espacialização da área atingida. Dessa forma, conseguimos ter uma estimativa da área e não somente dos números de focos de calor”, explica Vinícius Silgueiro, coordenador do Núcleo de Inteligência Territorial do ICV, nesta quarta-feira, 9.

Nos últimos dias, o incêndio chegou ao Parque Nacional Encontro das Águas, unidade de conservação que abriga centenas de espécies e reúne a maior concentração de onças-pintadas do mundo, localizado na região de Porto Jofre, na cidade Poconé (MT), cerca de 120 quilômetros de Cuiabá.

O registro de animais silvestres carbonizados ou feridos viralizam nas redes sociais desde o início de setembro. “Eles são a face mais cruel da tragédia ambiental que atinge um dos mais ricos biomas brasileiros: há mais de um mês o Pantanal arde em chamas”, diz um dos comentários publicados no Twitter.

Impacto da fumaça na saúde

A névoa densa das queimadas chamou atenção e fez ligar o alerta inclusive das secretarias de Saúde, que estão preocupadas com um aumento na demanda na procura por leitos para tratamento de doenças respiratórias, já sobrecarregados em decorrência da pandemia de Coronavírus. A Secretaria de Saúde de Mato Grosso do Sul emitiu em nota publicada no fim de julho, alertando sobre o alto índice de atendimentos relacionados à densa qualidade do ar por causa das queimadas na região.

“Nenhum município está cem por cento preparado para enfrentar dois eventos desta natureza”, declarou, na nota, Rogério Leite, secretário de Saúde de Corumbá, à imprensa, na sexta-feira passada.

É importante ressaltar que cerca de 60% dos 250 mil quilômetros quadrados do Pantanal – uma área maior que o Reino Unido – fica no Brasil, o resto é dividido entre Bolívia e Paraguai. O bioma é considerado o mais preservado do País, com 83% de cobertura vegetal nativa, e apresenta a maior densidade de espécies de mamíferos do mundo, com uma concentração nove vezes maior que a vizinha Amazônia, de onde recebe parte das águas que o inunda todos os anos.

É esse ambiente que vem queimando com força extrema nunca vista, segundo brigadistas do Prevfogo (Sistema Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais, do Ibama), desde o final de julho.