4 de dezembro de 2020

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Carolina Givoni – Da Revista Cenarium

MANAUS – “O que aconteceu na loja do Carrefour foi uma tragédia de dimensões incalculáveis, cuja extensão está além da minha compreensão, como homem branco e privilegiado que sou”, a frase de Noel Prioux, CEO do Carrefour Brasil, foi proferida durante a programação de televisão aberta na noite de sábado, 21, após a onda de protestos ocorrida nas unidades do supermercado pelo Brasil.

Prioux lamentou a morte de João Alberto Silveira Freitas, homem negro de 40 anos espancado e morto por dois seguranças de uma unidade, localizada na capital gaúcha, na véspera do Dia da Consciência Negra, 20. “Então, antes de tudo, meus sentimentos à família de João Alberto e meu pedido de desculpas aos nossos clientes, à sociedade e aos nossos colaboradores”, reiterou Noel.

O responsável pela franquia no Brasil, reforçou que vai ampliar o compromisso com a causa antirracista. “Se uma crise como essa está acontecendo conosco é porque temos a responsabilidade de mudar isso na sociedade. A morte de João Alberto não pode passar em vão. E é por isso que assumimos hoje o compromisso de ajudar a combater o racismo estrutural. Comunicaremos nos próximos dias todas as nossas iniciativas e o comitê dedicado exclusivamente a esta causa. Mais uma vez, minhas sinceras desculpas”, finalizou Prioux.

Protestos

Assim como a morte do norte-americano George Floyd teve grande repercussão em maio deste ano, após ele ser asfixiado durante uma abordagem policial criminosa, no Brasil milhares de pessoas foram às ruas nessa sexta-feira, 20, e neste sábado, 21, em diversas capitais para protestar contra a morte de João Alberto.

Em São Paulo as manifestações tomaram mais força. Um grupo de artistas pintou a hashtag #VidasPretasImportam” em uma das pistas da Avenida Paulista, sentido Rua da Consolação, em frente ao Museu de Arte de São Paulo (Masp). O coletivo iniciou a pintura na noite desta sexta-feira, 20, e terminou por volta das 5h deste sábado, 21.

O crime

João Alberto fazia compras no supermercado com a esposa e após uma discussão, foi levado para fora do estabelecimento e acabou sendo morto por dois seguranças brancos no local. Giovane Gaspar da Silva, policial militar de 24 anos e o segurança Magno Braz Borges, de 30 anos, foram presos em flagrante. Eles irão responder por homicídio triplamente qualificado: por motivo fútil, asfixia e recurso que impossibilitou a defesa da vítima.

Veja o discurso

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