Vitória: 236 indígenas são empossados após vencer eleições municipais de 2020

Com informações da APIB

MANAUS – De acordo com informações da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) nesta sexta-feira, 1º, marca a posse de 236 candidaturas eleitas de 71 povos indígenas nas eleições municipais de 2020. A organização aponta que esse é o maior número de “parentes e parentas” eleitos na história do Brasil.

Em plena pandemia de Covid-19, candidatos e candidatas indígenas enfrentaram a crise sanitária e ocuparam cargos nos poderes executivo e legislativo, em 127 cidades de 24 estados, em todas as regiões do país. O ano anterior também marcou a participação de 2.212 candidatos indígenas nos 5.568 municípios do país – representando um aumento de 27% em relação às eleições de 2016.

Mobilização

No ano de 2020, a Apib lançou a mobilização “Campanha Indígena” nas redes sociais mais populares com a conta @campanhaindigena. Uma iniciativa que visou ampliar a representação dos povos tradicionais nos espaços de poder, por meio da visibilidade e de suporte jurídico aos candidatos e candidatas.

Nos dados parciais apurados pela Campanha, indicam que dos 236 eleitos, 214 são de indígenas eleitos para Câmaras Municipais, 10 para prefeituras e 12 ao cargo de vice prefeitos. A entidade também declara que os dados estão em constante modificação e que até o momento, são passíveis de alteração.

Segundo Dinaman Tuxá, um dos coordenadores da Apib, o maior interesse na política institucional se deve à ampliação do debate sobre a necessidade da representatividade dos povos indígenas. Tuxá ainda declara que “a pauta comum entre todos candidatos que é a retomada da demarcação dos territórios indígenas, ainda que tenham pontos de vista políticos distintos e sejam filiados a partidos diversos”, detalhou.

Histórico

Nos registro históricos, no ano de 1969 o primeiro indígena eleito no Brasil, foi Manoel dos Santos, conhecido como “Seu Coco”. O vereador era originário do povo Karipuna e cumpriu o mandato parlamentar na cidade de Oiapoque, no Amapá. Já em 1976, o Cacique Angelo Kretã ganhava uma cadeira na Câmara Municipal de Mangueirinha (PR), após lutar na Justiça pelo direito de se candidatar.

No âmbito federal, Mario Jurua se tornava o primeiro indígena a ocupar o cargo de deputado federal em 1982 – seis anos depois os direitos indígenas eram reconhecidos na Constituição Federal. O primeiro prefeito indígena eleito, registrado pelo movimento indígena, foi no ano de 1996. João Neves, do povo Galibi-Marworno, comandou o executivo do município de Oiapoque, no Amapá.

A partir de 2014, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) passou a incluir registro de cor/raça dos candidatos. Em 2016, concorreram às eleições municipais 1. 715 indígenas. Deste total, foram eleitos 169 vereadores, 6 prefeitos e 10 vice-prefeitos.

A presença feminina nos pleitos eleitorais se consolidou em 2018 com a eleição de Joenia Wapichana (REDE) como deputada federal e com a participação de Sonia Guajajara em uma chapa para presidência da República que, até então, nunca havia sido disputada pleiteada por uma indígena.

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