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26 de janeiro de 2022
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Priscilla Peixoto – Da Revista Cenarium

MANAUS – Uma pesquisa realizada pela marca brasileira de análises e informações para decisões de crédito e apoio a negócios, Serasa Experian, revelou que, nos últimos 12 meses, 75% das famílias no País estão endividadas. O levantamento, que também foca em entender os motivos do endividamento, confirma que a pandemia ocasionou uma alta no desemprego, consequentemente se tornando o principal gerador de inadimplência no País.

Segundo o levantamento, a média das dívidas chega a até R$ 4 mil e três a cada dez inadimplentes estão sem emprego. “É fato que a pandemia tem uma influência muito grande nesses números, mas não podemos esquecer que a gente já vinha em um processo de crise econômica. Então, a pandemia só fez piorar uma coisa que já não estava boa. Com o desemprego na casa dos 15%, é natural a gente ter um endividamento significativo das famílias”, avalia a economista e consultora de empresas Denise Kassama.

Além dos prejuízos causados pela pandemia, a economista destaca dois grandes “vilões”, considerados por ela cada vez mais agravados pelo aumento da inflação e da taxa Selic (principal ferramenta do Banco Central para manter sob controle a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) mantendo o volume de dinheiro em circulação).

“O primeiro deles são os juros rotativos do cartão de crédito, que giram em torno de 300% ao ano, e o juros do cheque especial, que atualmente estão na casa dos 80% ao ano. Então, se a família não está tendo renda, os gastos não deixam de existir e é de se esperar que eles apelem para o cheque especial, então acabam entrando nos juros rotativos do cartão de crédito, pois não têm dinheiro para pagar tudo e pagam uma parte e, assim, a dívida só vai aumentando”, explica a profissional.

Dados do endividamento

A pesquisa também mostrou que a maioria das pessoas – 88% dos entrevistados – se sente envergonhada com as dívidas. Além da vergonha e incômodo por conta do débito, as dívidas acabam prejudicando o trabalho para 76% das pessoas ouvidas durante o levantamento. Para 64% dos que participaram da pesquisa, a inadimplência interfere negativamente no quesito relacionamento familiar; 62% no convívio com os parceiros e a vida social de 84% das pessoas consultadas.

75% das famílias brasileiras estão endividadas. (Reprodução/ Internet)

Segundo uma pesquisa da Confederação Nacional do Comércio, Bens, Serviços e Turismo (CNC), divulgada em novembro deste ano, cerca de 12 milhões de famílias brasileiras estão, atualmente, endividadas, o que significa o maior nível de endividamento já registrado pela confederação, em 11 anos de análise voltada a esta questão.

Até outubro deste ano, o estudo mostrava que 74,6% das famílias tinham dívidas a vencer nos próximos meses em diferentes dispositivos: cartão de crédito, cheque especial, cheque pré-datado, consignado e até carnê de lojas.

A conta não fecha

A economista lamenta o atual cenário econômico do País e ressalta que ele é reflexo da falta de políticas públicas a pessoas de baixa renda. “Infelizmente, este é o retrato atual das famílias brasileiras. Evidente se só sai dinheiro e não entra, essa conta não vai fechar nunca. Mas, por outro lado, as pessoas precisam comer. Estamos falando de coisas muito básicas. Por isso que temos observado cenas muitos tristes, de pessoas revirando lixo, na fila para pegar osso no açougue, porque as famílias não estão conseguindo fechar essa conta”, complementa Denise.

A produtora Dani Silva, de 30 anos, integra a lista dos endividados. Fora do mercado há quase um ano, a profissional se viu obrigada a entrar no limite do cheque especial e a readequar o padrão de vida dos custos mensais. “Tem sido difícil. Tenho feito alguns trabalhos freelance, mas o aperto é real. A cada dia que passa, a dívida só cresce e a preocupação também”, conta a produtora.

Dicas

A profissional aproveita para passar algumas dicas àqueles que se enquadram na situação. Uma das primeiras dicas da economista é congelar as compras de fim de ano. De acordo com ela, neste período a tendência é gastar com coisas desnecessárias e se deixar levar pelo clima festivo, mesmo com a pandemia, e acabar comprando mais do que deve. “Nada de ficar pensando em ceia com coisa caras. Pense algo mais simples e simbólico, afinal Jesus não era rico e nada de ostentação nos presentes neste período também”, aconselha.

O segundo passo, de acordo com Denise, é renegociar a dívida o quanto antes. Ela explica que a partir do momento em que a dívida é renegociada, os juros cessam e são calculados somente os juros em cima do que foi negociado. “Quanto mais você demorar para renegociar suas dívidas, mais juros iam rolar, mais alta essa dívida vai ficar”, destaca.

A terceira dica da profissional é reservar uma parte do orçamento para ir pagando, aos poucos, as dívidas. “Vá pagando devagar. É aquela velha história, devo não nego e pago quando puder, o importante é ir pagando. Enquanto a situação não melhora, segura o dinheiro para usar de forma mais inteligente possível e o mesmo aconselho fazer com o décimo”, finaliza a economista.