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7 de maio de 2021

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Com informações da assessoria

SÃO PAULO – A irradiação de alimentos ainda é uma tecnologia pouco utilizada no Brasil, apesar de suas vantagens, como a eliminação de micro-organismos prejudiciais à saúde e o aumento do período de conservação. Para debater o uso da radiação de modo a alavancar a exportação brasileira, a Agenda Nuclear – Desafios Urgentes promoveu, no dia 8/4, o webinário “Irradiação de Alimentos – como viabilizar e implementar o negócio?”.

Durante evento, foram apresentados desafios como modelos de negócios, tecnologias mais adequadas ao mercado nacional, a visão dos setores produtivos e usuários, fontes de financiamento e a comunicação com a sociedade. Na abertura, o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovações, Marcos Pontes, foi representado por Ricardo Cesar Mangrich, coordenador-geral de Tecnologias Estratégias (CGTE) do MCTI.

O Ipen/CNEN participou das discussões com apresentações de Wilson Calvo, superintendente do Instituto, Anna Lúcia Villavicêncio, pesquisadora do Centro de Tecnologia das Radiações (Ceter/Ipen), Ana Paula Freire, da Assessoria de Comunicação Institucional, e Denise Levy, professora colaboradora em disciplina no Programa de Pós-Graduação em Tecnologia Nuclear Ipen/USP e diretora de comunicação da Sociedade Brasileira de Proteção Radiológica (SBPR).

Calvo integrou a mesa que discutiu o tema “Modelos de Negócios”. O superintendente do Ipen/CNEN ressaltou a expertise do País e o “potencial gigantesco” para ampliação de instalações visando o processamento de materiais por radiação, se comparado a países como Japão, China e Estados Unidos. Frisou que todos equipamentos utilizados para irradiação, desde o projeto, construção e operação seguem normas de segurança internacionais e nacionais.

“Existe uma conjuntura brasileira que fortalece o Programa Nuclear Brasileiro dando segurança e incentivo, articulação e apoio a entes públicos e privados nessa temática de irradiação de alimentos”. O fortalecimento de parcerias entre governo, setor privado, instituições de pesquisa e financiadores para o empreendimento de novas instalações é fundamental, segundo Calvo. “O Brasil precisa de irradiadores, o agronegócio precisa, e nós precisamos que isso se torne uma realidade”.

Irradiador Multipropósito de Cobalto-60, instalação do Ipen/CNEN, em São Paulo (Rafael H.L. Garcia-IPEN/CNEN)

Também participaram o diretor do Programa de Parcerias de Investimentos do Governo Federal (PPI) do Ministério da Economia (ME), Alceu Justos Filho, o coordenador geral de negócios da Amazul, Nilo de Almeida e o assessor da Secretaria Executiva do Ministério da Agricultura (Mapa), Luiz Eduardo Rangel. A moderação ficou a cargo de Tiago Rusin, da Coordenação-Geral de Desenvolvimento Nuclear (SCS/GSI/PR).

Outro tema apresentado foi “Modelos tecnológicos adequados ao País”. A pesquisadora Anna Lúcia C. H. Villavicêncio atuou como moderadora. Participaram o vice-presidente de Vendas da IBA Group – Tecnologias em Aplicações Radiativas, Mauro Ferreira, o diretor comercial no Brasil da Nuctech, Juliano Nogueira, e Murillo Freire Junior, pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

Villavicêncio afirmou que o Brasil já realiza processos de irradiação de alimentos há pelo menos 20 anos, mas nem todos os produtos são rotulados. “Nós temos um grupo muito pequeno de irradiadores comerciais, mas dedicados. Agora, com esse movimento, podemos expandir e colocar irradiadores de norte a sul do País. É isso que está faltando: máquinas. Nós, do Ipen/CNEN, temos bastante procura pelos agricultores interessados em aplicar o processo”.

Comunicação com a sociedade

Na mesa “Comunicação com a sociedade”, a jornalista Ana Paula Freire destacou que a área nuclear é um campo do conhecimento científico e ressaltou a importância da formação do comunicador para transmitir com clareza e simplicidade – “obviamente sem prescindir do rigor técnico”- e, principalmente, com transparência. Mencionou as ações do IPEN/CNEN e a sua contribuição na disseminação dos benefícios da tecnologia nuclear para diferentes públicos.

Levy encerrou a mesa apresentando projetos de educação científica por meio de plataformas digitais desenvolvidos durante suas pesquisas com Anna Lúcia Villavicencio e salientou a necessidade de se levar informações corretas para a sociedade, a fim de “combater o preconceito e a desinformação acerca da área nuclear”.

Também participaram dessa última mesa Thalita Antony de Souza, gerente geral de Alimentos da Anvisa, Luiz Roberto Barcelos, presidente da Comissão Nacional de Fruticultura da CNA, e Gustavo Chianca, representante Adjunto da FAO no Brasil. A moderação foi de Fabiano Petrucelli, assessor técnico do GSI/PR.

“Alinhamento”

Ricardo Cesar Mangrich ressaltou que a atividade nuclear necessita de incentivo e de atividades que estimulem a informação e esclarecimento público, principalmente voltados a segurança e aplicações. Comentou que “o MCTI está sempre alinhado a todas iniciativas nesse sentido, assim como está muito empenhado em atividades na área da saúde” e citou alguns projetos, dentre eles o Reator Multipropósito Brasileiro (RMB).

O diretor do Departamento de Coordenação do Sistema de Proteção ao Programa Nuclear Brasileiro, Capitão de Mar e Guerra Alexandre Itiro Villela Assano, representando o secretário de Coordenação de Sistemas do GSI/PR, Almirante André Macedo, abordou a tecnologia da irradiação como política pública e as ações do GSI na área.

O encerramento coube a Carlos Emiliano Eleutério, diretor executivo Planeja & Informa Comunicação e Marketing / Casa Viva Eventos, promotora do seminário. Mencionando a qualidade dos debates ao longo do dia, salientou que a comunicação é estratégica para a aceitação da área nuclear. Concluiu dizendo da importância de uma mesa específica para debater o tema “comunicação com a sociedade” e que “aprendeu muito com tudo o que foi apresentado”.

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