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22 de outubro de 2021
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Com informações do Infoglobo

RIO – Os cânceres de cólon e retal estão aumentando em jovens adultos, embora os pesquisadores não saibam exatamente o porquê. Um novo estudo que analisou mulheres e suas dietas sugere que bebidas adoçadas com açúcar podem ter algum papel nesses números.

As taxas de câncer colorretal em pessoas com menos de 50 anos aumentaram acentuadamente nos últimos anos. Em comparação com pessoas nascidas por volta de 1950, aquelas nascidas por volta de 1990 têm o dobro do risco de desenvolver câncer de cólon e quatro vezes o risco de ter câncer retal.

Embora as vendas de bebidas adoçadas com açúcar tenham diminuído nos últimos anos, a porcentagem de calorias consumidas em bebidas açucaradas aumentou drasticamente entre 1977 e 2001. Nesse intervalo, o número subiu de 5,1% do total de calorias consumidas para 12,3% na faixa entre 19 e 39 anos e de 4,8% a 10,3% entre crianças e jovens menores de 18 anos. Em 2014, esses números haviam caído, mas 7% das calorias consumidas pelos americanos em geral ainda provinham de bebidas açucaradas.

O novo estudo, publicado na revista médica Gut, examinou a ligação entre câncer colorretal e bebidas doces em 94.464 enfermeiras que se inscreveram em um estudo prospectivo de saúde de longo prazo entre 1991 e 2015, quando tinham de 25 a 42 anos de idade. Eles também analisaram um subconjunto de 41.272 enfermeiras que relataram o consumo de bebidas açucaradas com idades entre 13 e 18 anos.

O estudo incluiu a ingestão de refrigerantes, bebidas esportivas e chás adoçados. Os pesquisadores também registraram o consumo de suco de frutas — maçã, laranja, toranja, ameixa e outros.

Ao longo de quase 24 anos de acompanhamento no estudo, eles encontraram 109 casos de câncer colorretal entre as enfermeiras, enquanto que o risco total de câncer de cólon em pessoas mais jovens ainda é pequeno. Mas, em comparação com as mulheres que consumiam em média menos de uma porção de 240 ml de bebidas adoçadas com açúcar por semana, aquelas que bebiam dois ou mais porções tinham mais do que o dobro do risco relativo de contrair a doença.

Cada porção adicional de bebidas doces aumentou o risco em 16%. Uma porção diária durante a adolescência foi associada a um risco 32% maior, e a substituição de bebidas açucaradas por café ou leite com baixo teor de gordura levou a uma redução de risco relativo de 17 a 36%. (eles não tinham dados sobre café adoçado com açúcar.)

“Fiquei muito interessada em ver que o estudo era com mulheres”, disse Caroline H. Johnson, epidemiologista da Escola de Saúde Pública de Yale, autora de inúmeros estudos sobre os riscos ambientais do câncer de cólon, mas que não esteve envolvida neste trabalho. “O foco tem sido principalmente os homens. Será interessante ver se isso se confirma neles”, concluiu.

Não houve associação do consumo de sucos de frutas ou bebidas adoçadas artificialmente com o câncer colorretal de início precoce. A análise controlou vários fatores que podem afetar o risco de câncer de cólon, incluindo raça, índice de massa corporal, uso de hormônio da menopausa, tabagismo, consumo de álcool e atividade física.

O estudo mostrou apenas uma associação, portanto não conseguiu provar causa e efeito. Mas Nour Makarem, professor assistente de epidemiologia da Escola de Saúde Pública Mailamn, em Columbia, que não esteve envolvido na pesquisa, disse: “Esta é uma evidência robusta, uma nova evidência de que a maior ingestão de refrigerante está envolvida em um risco maior de câncer colorretal. Sabemos que bebidas adoçadas com açúcar têm sido associadas ao ganho de peso, desregulação da glicose e assim por diante, que também são fatores de risco. Portanto, há um mecanismo plausível que fundamenta essas relações”.

Análise do estilo americano

Principal autora do estudo, Yin Cao, professora associada de cirurgia da Escola de Medicina da Universidade de Washington, em St. Louis, disse que problemas metabólicos, como resistência de insulina, colesterol alto, bem como a inflamação no intestino, podem desempenhar um papel maior entre as causas de câncer na população mais jovem do que em pessoas mais velhas, mas os potenciais mecanismos ainda não foram identificados com precisão.

“Uma hipótese é que o aumento do ganho de peso está causando o aumento do risco”, disse ela, antes de concluir: “Mas controlamos a obesidade. Ainda assim, pode ser uma das coisas que contribuem. Em estudos com camundongos, o xarope de milho com alto teor de frutose contribuiu para o risco de câncer, independentemente da obesidade.

“Esta é a primeira vez que bebidas adoçadas com açúcar foram associadas ao câncer colorretal de início precoce”, ela continuou: “E este estudo ainda precisa ser replicado. Mas os pesquisadores e médicos devem estar cientes desse fator de risco amplamente ignorado para o câncer em idades mais jovens. Esta é uma oportunidade de rever as políticas sobre como as bebidas adoçadas com açúcar são comercializadas e como podemos ajudar a reduzir o consumo”.