Lula tinha o dever de ser candidato em 2018

Marcelo Amil

Ontem assisti a um vídeo que Ciro Gomes dizia que Lula havia mentido ao Brasil em 2018, pois sua candidatura era impossível por ele estar inelegível. Ciro disse isso como parte da sua justificativa para não apoiar Lula no primeiro turno hoje. Não me convence. 

A candidatura de Lula em 2018 era mais que legítima, era necessária. Lula era vítima de um crime. Durante a execução desse crime, ele viu sua esposa não resistir e morrer. Viu seu irmão morrer e lhe impedirem de se despedir. Lhe condenaram a ter como última lembrança de seu neto de 7 anos a imagem de um caixão. Resistiu a quase 600 dias de uma prisão ilegal. Lula, desde o primeiro momento, denunciou o lawfare. Denunciou os crimes que estavam acontecendo. Desde o primeiro momento, denunciou que Moro e Dalagnol agiam como políticos, não como juiz e promotor, respectivamente. Tudo o que Lula disse no começo da farsa de Moro, ainda em 2016, foi provado nos tribunais e escancarado pela história. 

Naquele momento, de todo democrata era esperado o combate a isso. De advogados, era dever profissional. De políticos, era dever de honra. Ciro faz o certo até ali. Combateu a “farsa jato”. Me decepciona que nesse momento, Ciro trate uma decorrência da farsa contra Lula (a inelegibilidade) com qualquer ar de legalidade ou legitimidade. Não havia nada de legal nem de legítimo ali. Lula tinha o dever de usar todas as ferramentas possíveis para denunciar, constranger e escancarar quem era quem e o que aquelas pessoas estavam fazendo com o Brasil.

Votei em Ciro no primeiro turno em 2018. Fiquei extremamente decepcionado, quando ele, ao invés de ficar e perder a eleição conosco no segundo turno, decidiu ir para Paris. Hoje, vendo Ciro tratar com ares de legitimidade o crime contra Lula, vejo ressurgir aquele sentimento de decepção. Vida que segue.

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