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7 de maio de 2021

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Bruno Pacheco – Da Revista Cenarium

MANAUS – Manaus foi sede de um encontro virtual em homenagem à Semana de Arte Moderna de 1922, que revolucionou movimentos artísticos do século 20 e que completa 100 anos em 2022. O evento é um preparativo ao centenário e contou com a participação de escritores, professores e representantes da classe cultural do País. No Amazonas, de acordo com o professor de literatura e escritor Tenório Telles, a visita do poeta Mário de Andrade na capital, em 1927, foi fundamental para esse processo de renovação na literatura, cultura e arte da região.

“O poeta Mario de Andrade esteve em Manaus em 1927 e fez uma conferência na nossa cidade, onde ele falou da arte moderna e, sem saber, ele também lançou, aqui na nossa terra, as sementes da renovação da literatura, na cultura e nas artes de modo geral”, salientou Telles, presidente do Conselho Municipal de Política Cultural (Concultura) da capital. Segundo ele, a Universidade Federal do Amazonas (Ufam) foi decisiva para a instalação desse movimento. O evento ocorreu nesta quarta-feira, 28.

Telles afirma que a visita de Mário de Andrade no Amazonas deixou sementes de renovação na literatura (Oliveira Junior)

A Semana de Arte Moderna foi um movimento histórico para a cultura brasileira que ocorreu no Theatro Municipal de São Paulo, nos dias 13, 15 e 17 de fevereiro de 1922. Obras do Modernismo brasileiro tiveram grande influência na Amazônia, como a do poeta Mário de Andrade, que após viagem à região, escreveu o livro Macunaíma. Além de Manaus, apenas São Paulo realiza palestras preparatórias em alusão à data, com debates e recital poético.

“A Semana de Arte Moderna representou esse momento de superação na vida cultural de nosso País. Os jovens realizadores desse evento, talvez não tivessem a compreensão das consequências que advieram do gesto corajoso de realizar, no início do século 20, em meio a tantas dificuldades e incertezas, um evento que mudaria para sempre as expressões artísticas e, principalmente, a maneira de pensarmos o País”, destacou o presidente da Manauscult, Alonso Oliveira.

Segundo ele, a coragem de artistas que participaram do evento, há 100 anos, como Mário de Andrade, Manuel Bandeira, Villa-Lobos, Guiomar Novaes, Oswald de Andrade, foi de fundamental importância para a renovação da arte no Brasil. Alonso salienta que a Semana de Arte Moderna reverberou no Amazonas alguns anos após a realização do evento em São Paulo.

“A obra de Pereira da Silva e Violeta Branca apresenta elementos de evidentes características modernistas. A presença de Mário de Andrade, em 1927, por certo contribuiu para essas mudanças, mas a confirmação desse processo de transformação atingiria seu momento de culminância com o surgimento do Clube da Madrugada, em 1954”, salientou Oliveira.

O evento

Os debates foram divididos em duas partes. A palestra de abertura teve como tema “A Semana de 22: Tradição e Ruptura – O Modernismo e suas Projeções na Amazônia”. Logo em seguida, o encontro promoveu discussão sobre com tema “A Semana de Arte Moderna: entre a tradição e a ruptura – fundamentos e desdobramentos na cultura brasileira”.

Os “fundamentos estéticos da Semana de 22 e suas projeções no processo cultural da Amazônia”; “A Amazônia e suas projeções na produção modernista brasileira – os casos Macunaíma e Cobra-Norato”; e o “Clube da Madrugada: presença modernista no Amazonas – temas e percursos”, foram outros temas debatidos.

A escritora Diana Navas, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), explica que o Modernismo não somente se refletiu na Amazônia, como também fez com que a região exercesse grande influência sobre o imaginário da literatura brasileira e que ainda exerce fascínio em razão dos encantos, mistérios, lendas e mitos originários do local.

O professor Sylvio Mário Pulga, reitor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), salienta que há cem anos houveram desafios que foram colocados na Semana de Arte Moderna, e cem anos depois, nascem outros desafios, como por exemplo, como pensar a arte e a cultura no período pandêmico. “Vejo que o que muda é o contexto, mas os desafios não mudam. Eles são repostos com outras características”, pontuou.