19 de setembro de 2020

Dólar

Euro

Manaus
23oC  29oC

Da Revista Cenarium*

MANAUS — Cinco anos após vir à tona a máfia do lixo na cidade Manaus, as lixeiras clandestinas, o despejo irregular de materiais produzidos por fabricantes situados no Polo Industrial de Manaus (PIM) e a falta de coleta doméstica regular continuam sendo um problema para a capital do Amazonas. O alerta é do ativista ambiental e ex-vereador de Manaus, Everaldo Farias, que em 2015 denunciou ao Ministério Público do Amazonas (MP-AM) 21 empresas do ramo de alimentação, comércio e eletrônico, por fazerem descarte ilegal de resíduos sólidos, causando sérios prejuízos ao meio ambiente.

A denúncia do ex-vereador, feita quando presidia a Comissão de Vigilância Permanente da Amazônia e Meio Ambiente da Câmara Municipal de Manaus, foi há cinco anos, porém, se um cidadão mais atento percorrer a cidade de Manaus, o cenário permanece o mesmo: lixo espalhado pelas ruas, entulhos da construção civil e equipamentos eletrônicos despejados em terrenos abandonados e nem mesmo as áreas verdes estão livres das ações de pessoas físicas ou jurídicas, que costumam desrespeitar a legislação ambiental em Manaus.

(Divulgação/Assessoria)

Na zona norte de Manaus, por exemplo, em um dos portões de acesso à Reserva Adolpho Duque, na Avenida Margarita, Cidade de Deus, o lixo é despejado como se o local fosse uma lixeira. Ao lado do Complexo de Exame de Direção Veicular do Departamento Nacional do Trânsito, localizado na Avenida Arquiteto José Henriques, Colônia Terra Nova, também na zona norte, por meses um terreno ficou tomado por lixo de todas as origens. O problema foi parcialmente solucionado quando foi feito uma mureta de barro para dificultar o acesso ao local. Ainda assim, moradores relatam ver pessoas parando no local para despejar lixo.

Para o ex-vereador situações como essas revelam o descaso do poder público, que faz vistas grossas para um problema que afeta a cidade e pode ser visto a olho nu. “Não temos um programa para o lixo em Manaus, o que existe são projetos para serem trabalhados por meio de publicidade, mas que na prática não refletem a realidade do lixo na cidade de Manaus. A população já percebe isso há algum tempo. É falta de atenção de planejamento, de preparo, de perspectiva para com a limpeza urbana. Deparamos com o problema quando passamos por esquinas e avenidas, o número de lixeiras clandestinas aumentou muito”, destacou Everaldo Farias.

Divulgação/Assessoria)

Além de um programa que dê transparência para o destino do lixo produzido em Manaus, o ex-vereador defende a conscientização contínua das pessoas por meio de um trabalho envolvendo as secretarias de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas), Saúde (Semsa), Educação (Semed) e Limpeza Urbana (Semulsp). “Não consigo entender como é possível ser feito limpeza pública sem envolver o meio ambiente, a educação e a saúde”. A Semas faz fiscalização e a Semed precisa manter um departamento ambiental, que sempre foi muito acanhado para a cidade de Manaus, isso reflete na saúde”, observou.

(Divulgação/Assessoria)

Vale lembrar que os resíduos urbanos despejados de forma inadequada em lixões a céu aberto ou lixeiras clandestinas são responsáveis pela poluição do ar, do solo e das águas. A contaminação com substâncias tóxicas e até mesmo cancerígenas afetam diretamente milhares de pessoas que vivem nas proximidades ou que costumam catar lixo nesses locais.

Geração de lixo no Brasil

Dados da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública (Abrelp) divulgados no ano passado dão conta de que, entre 2017 e 2018, a geração de resíduo sólido urbano (RSU) no Brasil aumentou quase 1% e chegou a 216.629 toneladas diárias. No País, 35% de todo o lixo produzido poderia ser reciclado, porém, apenas 2,2% conseguem esse destino. Para ajudar a reduzir o problema do lixo no Brasil, uma consulta pública do Plano Nacional de Resíduos Sólidos (Planares) está aberta para receber sugestão até dia 30 de setembro. O Planares possui várias propostas que visam adequar o lixo no País, entre os destaques temos: encerrar todos os lixões e aterros controlados existentes no Brasil até 2024, uma vez que ainda existem mais de três mil lixões.

(*) Com informação da Assessoria

COMENTÁRIOS

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie. Leia as perguntas mais frequentes para saber o que é impróprio ou ilegal.