27 de outubro de 2020

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Seria capaz de falar 41 nomes de mulheres candidatas a vereadora com excelentes biografias que se apresentaram como candidatas a vereadoras em Manaus para dizer que valeria a pena encher o plenário e corrigir um desequilíbrio histórico. Parafraseio aqui a grande jurista libertária e feminista Ruth Ginsburbg, recentemente falecida, que ao ser perguntada qual seria o número ideal de mulheres na Suprema Corte Americana respondeu nove, o total de vagas. E arrematou: “Foram nove homens até 1981 (quando Sandra O’Connor se juntou à corte) e ninguém nunca achou exagero”.

Mas embora não seja “exagero”, estava de bom tamanho metade feminina. Especialmente se essas mulheres pudessem mostrar que não encheriam o plenário de saltos e batons à toa, mas sim com excelentes performances como parlamentares. Certamente é só uma utopia minha, mas não seria de todo mal se mulheres começassem a votar em mulheres (somos 53% do eleitorado e dificilmente elegemos mulheres), confiando mais no taco da gente, que podemos ser o que quisermos ser, nós e nossas filhas. Inclusive políticas eleitas para tomar decisões, fazer leis úteis e levantar a voz em grandes debates para melhorar a qualidade de vida de nossa cidade.

Há candidaturas como nunca, são 422 mulheres. Mas claro que a ideia não seria só votar em mulher por votar, e sim buscando suas biografias, facilmente encontradas nas benditas redes sociais. Hoje em dia só vota cego e alienado quem quer, a informação é grátis na internet.

Mas também sabemos que boa parte dessas candidaturas não ouviu o chamamento vocacional delineado por Max Weber. Foram, muitas, impulsionadas pela nova regra que obrigou, a partir deste ano, que cada legenda tenha, de forma independente, ao menos 30% de nomes femininos nas urnas, com a penalidade aos partidos que não alcançarem esse porcentual ter nomes de homens barrados na eleição.

Além disso, teve outra importantíssima decisão também do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de garantir que pelo menos 30% do fundo especial de financiamento de campanha deva ser gasto em candidaturas de mulheres. Ou seja, boa parte das candidaturas sabemos que é para cumprir cota. Mas, creiam, há muitas, mesmo, com total ímpeto e vocação para esse belíssimo ato que é buscar melhorar a vida do outro pelas leis, leis que podem melhorar o transporte coletivo, o ensino fundamental, nosso caminhar em calçadas e nosso lazer em parques, por exemplo.

Vocacionadas que, como disse Weber, “somente quem tem a vocação (da política) terá certeza de não desmoronar quando o mundo, do seu ponto de vista, for demasiado estúpido ou demasiado mesquinho para o que ele deseja oferecer. Somente quem, frente a todas as dificuldades, pode dizer “Apesar de tudo, estou na política!” tem a vocação para a política.” Nem todas as mulheres que ocuparam cadeiras na CMM foram vocacionadas, sei disso. Mas vou aqui tecer loas à primeira, que fez valer sua vocação, apresentou leis para melhorar a educação no município, e hoje dá nome à Escola do Legislativo da CMM, a primeira mulher vereadora em Manaus, Lea Antony (de 1965 a 1969). Deixo essa frase no final para pensarmos se é justo: a CMM foi fundada em 1883 e só em 1965 foi eleita a primeira mulher.

(*) Jornalista e mestre em Ciências Políticas

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