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25 de janeiro de 2022
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Com informações da Folhapress

SÃO PAULO — Para Ronnie O’Sullivan, 46, a sinuca já foi “um esporte mais sexy 20 ou 25 anos atrás”. Em entrevista à emissora Eurosport, o seis vezes campeão mundial disse que, se tivesse um filho, não o deixaria praticar a modalidade que fez sua fama.

Comentários ácidos não são uma novidade para o inglês, mas eles agora incluem o reconhecimento dos próprios limites. Após 29 anos dedicados à sinuca profissional, ele se vê atuando nas mesas por no máximo mais três.

“Não sou tão bom como eu era, mas aceito isso. Não sou uma daquelas pessoas iludidas. Sou bastante realista, e existe um limite de quanto suco é possível espremer de um limão”, disse.

O ‘limão’ em questão, espremido profissionalmente desde os 16 anos, rendeu. Conhecido como ‘O Foguete’ entre seus pares pelas jogadas ágeis, O’Sullivan atingiu a primeira centena de pontos aos 10 anos, o recorde de 147 aos 15 e conquistou seu primeiro Campeonato do Reino Unido (o tradicional UK Championship) aos 17.

Ele é recordista em sequências de tacadas valendo mais de cem pontos, com mais de 1.100 no currículo. Também tem o jogo perfeito de 147 pontos mais rápido já registrado em competições oficiais, em 1997, com 5 minutos e 8 segundos.

Também chama a atenção sua capacidade de fazer suas tacadas com as duas mãos. O uso dessa habilidade chegou a ser considerado “desrespeitoso” quando ele usou a mão esquerda pela primeira vez no circuito, aos 20 anos, em vitória sobre o canadense Alain Robidoux.

“Não lhe dei nenhum respeito porque ele não merecia”, disse O’Sullivan, segundo o jornal britânico The Independent. “Sou melhor com a mão esquerda do que ele com a direita.”

O Foguete, apesar das críticas ao esporte e de ter outras empreitadas – lançou três livros de ficção sobre crimes e um de receitas-, continua um embaixador do investimento na sinuca. Ante o aumento de jovens talentos chineses nos campeonatos, o hexacampeão insistiu na necessidade de a Inglaterra engrossar investimentos na base para não ser deixada para trás.

Sem poupar as cordas vocais em defesa de atletas, ele também chegou a criticar a liga internacional de sinuca em 2010, quando o empresário e promotor de esportes Barry Hearn assumiu a presidência do órgão regulatório.

Hearn adquiriu 51% das ações do braço comercial da liga e instituiu mudanças nas premiações do esporte. O valor pago como recompensa para sequências de 147 pontos caiu, o número de partidas que os jogadores de rankings altos devem jogar com os de rankings mais baixos subiu.

Após repetidos atritos, O’Sullivan evocou a cisão no órgão regulatório de campeonatos de dardos –esporte que chegou a ter, entre 1993 e 2020, duas ligas paralelas– para ameaçar liderar uma separação similar na sinuca.

No Mundial de 2020, ele criticou o nível dos atletas e afirmou que precisaria “perder uma perna e um braço” para sair do top 50. Hoje ocupa a terceira posição, precedido por Judd Trump e Mark Selby, também ingleses.

Dentre os chineses que crescem na modalidade está Zhao Xintong, 24, que entrou no top 10 ao vencer o UK Championship e chegou a ser comparado a O’Sullivan. A China, assim, levou dois dos três principais títulos da temporada. Yan Bingtao, 21, triunfou no Masters, e o inglês Mark Selby, 38, foi o campeão do Mundial.

Entre bons e maus resultados, O’Sullivan mantém o tom irreverente. No caminho para conquistar o Grand Prix Mundial neste mês, teve dificuldade para bater um adversário mal ranqueado e apresentou esta explicação: a massagem que recebera no hotel o deixara tão relaxado que não conseguiu se empolgar para o jogo.

Com ou sem massagem, na final do torneio, o inglês bateu o australiano Neil Robertson em uma virada que foi considerada pela WPBSA (associação mundial de profissionais da sinuca e bilhar) uma das dez melhores partidas do ano.

Mas nem todos os seus jogos são marcados pelas grandes atuações. Em uma das partidas do UK Championship, contra Kyren Wilson, ele pediu repetidas pausas ao árbitro, dizendo que a plateia o distraía. No clima de tensão, houve um pedido para a retirada de um fotógrafo e frases ásperas de Wilson, que criticou a demora no jogo.

“Eu disse ao árbitro: estamos sem pressa. Estou aqui para jogar sinuca, e não existe limite de tempo para as partidas”, disse ao jornal The Guardian. “Não me incomoda. Jogo em bons lugares e maus lugares, é o que é. Eu nem me importo o suficiente para ter uma opinião formada. É o que é. Apenas continuo comendo o salmão defumado e o cream cheese.”

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