21 de outubro de 2020

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Da Revista Cenarium*

Telescópios do Observatório Europeu do Sul (European Southern Observatory – ESO) capturaram o momento da “espaguetificação” de uma estrela ao ser devorada por um buraco negro supermassivo. Uma animação artística reproduziu o evento – veja abaixo.

Um estudo sobre o caso foi publicado na segunda-feira, 12, na revista científica “Monthly Notices of the Royal Astronomical Society”, da Universidade de Birmingham, no Reino Unido.

A equipe de astrônomos, pertencentes a organizações de todo o mundo, descobriu que quando um buraco negro engole uma estrela ele pode lançar uma poderosa explosão de material para fora. É denominado “espaguetificação” pois, quando em contato com o buraco negro, a estrela se desfaz, liberando um clarão brilhante de energia.

“Quando uma estrela azarada se aproxima demais de um buraco negro supermassivo no centro de uma galáxia, a extrema atração gravitacional exercida pelo buraco negro desfaz a estrela em finas correntes de matéria”, explica Thomas Wevers, autor do estudo e bolsista do ESO em Santiago do Chile, que estava trabalhando no Instituto de Astronomia da Universidade de Cambridge.

Esse episódio é raro e nem sempre fácil de estudar, mas os astrônomos enfrentavam dificuldades para investigar e registrar o clarão de luz, devido a uma cortina de poeira e restos de material estelar se formar. Além disso, os pesquisadores acreditam que este é o mais próximo registrado de nós – ou o menos distante – que aconteceu a pouco mais de 215 milhões de anos-luz de distância da Terra.

Kate Alexander, bolsista Einstein da NASA na Universidade Northwestern, nos Estados Unidos, diz que puderam ver a “cortina” sendo criada à medida que o buraco negro lançava as finas correntes de matéria. “Esta única ‘espiada atrás da cortina’ nos proporcionou a primeira oportunidade de localizar a origem do material ocultante e seguir em tempo real como é que engolfa o buraco negro”, disse.

De acordo com o estudo, esse registro poderá explicar como funcionam os buracos negros supermassivos e como a matéria estelar se comporta em ambientes com alta gravidade. A criação do Extremely Large Telescope (ELT), do ESO, será finalizada e começará a operar ainda nesta década, o que poderá possibilitar detectar e captar melhor eventos similares à esse, “ajudando assim a desvendar mais mistérios da física dos buracos negros.”

Vídeo:

(*) Com informações da CNN

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