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22 de janeiro de 2022
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Li estarrecido numa matéria que o (im)presidente Bolsonaro disse “espero não ter que retornar antes” de suas férias. A declaração em princípio poderia não ter nada demais, mas ela foi dita simplesmente no momento em que nossos irmãos baianos enfrentam tempestades devastadoras que no momento da produção desse texto somam vinte e uma mortes, trezentos e setenta e oito feridos, setenta e sete mil desabrigados, quatrocentos e setenta mil atingidos. O mínimo de compostura exigido de um representante do povo seria interromper férias e acompanhar de perto os trabalhos na região. Assim fez FHC em 2000 no sudeste, assim fez o presidente Lula no estado de Pernambuco em 2010, assim fez a presidenta Dilma em solidariedade aos mortos da boite kiss em 2013. Escrevo estarrecido, mas nem um pouco surpreso. O desprezo de Bolsonaro pela vida sempre foi marca de sua própria personalidade. Quando deputado disse que mandaria fuzilar FHC, disse que a imunidade parlamentar lhe permitia se declarar homofóbico (hoje a homofobia é crime), disse que não estupraria uma deputada porque ela era feia, deixando claro que se fosse bonita, o estupro estaria legitimado.

Não é a primeira vez que Bolsonaro reclama do cargo que (desgraçadamente, pra nós) por hora ocupa. Em reunião com representantes da CNI ele disse que não sabia onde estava com a cabeça quando aceitou ser candidato a presidente. No famigerado cercadinho, ele reclamou ao seu gado aos seus seguidores que não conseguia fazer nada, pois o Brasil estava quebrado. Num de seus incontáveis ataques à imprensa, quando questionado sobre as mortes decorrentes da pandemia, ele perguntou o que queriam que ele fizesse, arrematando que não era coveiro.

Bolsonaro sabotou e continua sabotando a vacinação de nosso povo, primeiro dizendo que não entendia a pressa da vacina, e agora dizendo que não estão morrendo crianças suficientes para justificar a vacinação delas.

Além de ter a agenda menos preenchida de todos os presidentes na história do Brasil, Bolsonaro ainda reclama diariamente de ter que ser presidente. Não sem razão a internet vez ou outra sobe a hashtag #BolsonaroVagabundo.

A cada declaração do (im) presidente a sensação é de que ele está nos fazendo um favor em ser presidente. Em sua cabeça doentia provavelmente ele é o bastião que nos protege do comunismo. Comunismo hoje virou um “velho do saco” para os adultos. Para os que têm menos de três neurônios funcionais, registre-se.

Bolsonaro quer que lhe agradeçamos por antes da pandemia o real já ser a quinta moeda mais desvalorizada do mundo em relação ao dólar. Bolsonaro que quer lhe agradeçamos pelo Brasil ser o segundo país no mundo com maior número de mortes por Covid. Bolsonaro quer que o agradeçamos por termos uma média de contaminação quase três vezes superior à média mundial. Bolsonaro quer que lhe agradeçamos por termos quase trinta milhões de brasileiros vivendo com menos de R$ 9,00 por dia. Bolsonaro quer que lhe agradeçamos por termos hoje vinte milhões de brasileiros passando fome. Sim, Bolsonaro, esses méritos são seus. Mas vindo pro mundo real, onde há quem se preocupe com o ser humano, onde há quem se importe com a dor do outro, a única forma de te agradecermos por alguma coisa seria se você renunciasse. Mas sabemos que nem por isso precisaremos te agradecer.

Marcelo Amil é advogado, presidente da comissão de esporte, saúde e bem-estar da OAB/AM e defensor-geral de dezesseis TJD’s.

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