Absorvente íntimo: uma tradição milenar que gera curiosidade no uso em mulheres indígenas

Vanessa Taveira – Revista Cenarium

MANAUS – A renomada artista plástica, designer de moda e nutricionista We’e’na Tikuna fez um vídeo e postou em sua rede social mostrando como é feito o absorvente indígena tikuna. Uma tradição milenar entre as mulheres, que traz histórias de evolução até os dias atuais.

O absorvente indígena tikuna é feito do “tururi”, uma fibra de madeira encontrada no Amazonas, região do Alto Solimões, onde há maior concentração dos povos tikuna. Dessa fibra são feitos brincos, pulseiras, cobertores e outros artefatos indígenas. “A retirada da fibra é um processo natural que ocorre em meio a natureza, após a colheita esse material é colocado no limão para amolecer, clarear e ao ficar mole, como um algodão, pode-se fazer as tangas, roupas em geral, inclusive o absorvente”, explica a indígena.

Tururi – fibra de madeira utilizado na confecção de absorvente tikuna (Arte: Guilherme Oliveira/ Revista Cenarium)

We’e’ena ressalta que, quanto mais se lava a fibra, mais macia fica podendo transformar-se em vários meios de utilização. Para a nativa, a natureza é sagrada, não só por suas belezas, mas por ser uma criação divina, de onde tudo é extraído como um modo de sobrevivência.

“A natureza nos fornece tudo. Por isso, para nós a natureza é sagrada, porque da terra, da floresta, dos rios, nós temos a nossa medicina natural”, pontua Tikuna.

We’e’ena Tikuna, tem 30 anos, uma artista indígena do Amazonas, artista plástica, designer de moda, cantora, palestrante e nutricionista se consagra no País com uma história de superação.

We’e’ena cujo nome significa “a onça que nada para o outro lado no rio”, nasceu na terra indígena Tikuna Umariaçu no Amazonas, alto Rio Solimões. Por meio de sua história de superação hoje We’e’ena é espelho para muitos indígenas.

A primeira formação de Weena foi de Artista Plástica. É formada em Artes plásticas (no IDC de Arte e Cultura do Amazonas). Conquistou prêmios, como a “melhor artista plástica indígena do Brasil” e 12 de suas obras compõem o acervo permanente de exposição no Museu Histórico de Manaus.

Sendo a primeira indígena do povo tikuna a se formar como Bacharel em Nutrição, WE’E’ENA hoje é doutora. Formou-se na Universidade Anhanguera, de São Paulo. Trabalhou em clínicas como a Alamed – Espaço Terapia SP e atualmente é colunista da “Revista Conexão Mulher”.

Evolução do absorvente íntimo

Os primeiros registros de absorventes são do Egito, onde proteções internas feitas de papiro processado eram inseridas dentro do canal vaginal. As romanas utilizavam chumaços de lã macia. Na Grécia, pedaços de pano envolviam gravetos de madeira que facilitavam a inserção. Já na Índia, introduziam fibras de vegetais e no Japão, pedaços de papel eram enrolados e formavam um “canudinho” semelhante à versão atual dos absorventes internos.

Na Idade Média, as famosas “toalhinhas” eram colocadas sob as roupas íntimas, lavadas e depois reutilizadas. Essa foi a primeira versão reutilizável de um método de absorção.

Até o início do século XIX, a evolução foi pouca. Os tecidos cortados, dobrados em camadas e depois reutilizados ainda eram a opção mais higiênica disponível. Mas, por volta de 1894, surgiram nos Estados Unidos registros dos primeiros absorventes desenhados para consumo. Durante esse mesmo período, por volta de 1890, os primeiros absorventes descartáveis já eram comercializados na Alemanha, feitos de bandagens e vendidos em embalagens com seis unidades.

Durante a primeira Guerra Mundial, enfermeiras perceberam o potencial de absorção dos materiais utilizados para os soldados feridos, permitindo os primeiros esboços dos absorventes como conhecemos hoje. Em 1930, no Brasil, a Modess foi a primeira linha de absorventes descartáveis a ser produzida no país. Em 1933, surgiram os absorventes internos com aplicador, o Tampax nos Estados Unidos e o OB na Alemanha, que significa “ohne binde”, em português “sem toalha”.

Atualmente, a percepção da menstruação como um ciclo natural, que vem se tornando cada vez mais comum, impulsionou uma visão mais ampliada sobre os métodos de absorção. Além disso, as mulheres passaram a enxergar com mais carinho o ciclo natural do seu corpo, abrindo-se para entrar em contato com o sangue e mudar sua relação com ele. Essa evolução movimentou a indústria e incentivou a criação de novas marcas, alternativas, pesquisas e desenvolvimento de tecidos tecnológicos para as calcinhas absorventes.

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