5 de março de 2021

Paula Litaiff – Da Revista Cenarium

O número de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) no Amazonas apresentou aumento de 67,5%, entre dezembro de 2018, quando o ex-governador Amazonino Mendes (Podemos) encerrou seu o mandato ‘tampão’, e fevereiro de 2021, na gestão do atual chefe do Executivo, Wilson Lima (PSC).

Gráfico de progressão das ampliações de leitos para Covid-19 no Amazonas (Arte: Samuel KNF/Revista Cenarium)

A quantidade de leitos passou de 537, para 900, um incremento de 363 na oferta de tratamento especializado. Os dados constam no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES), administrado pela Secretaria de Atenção à Saúde, do Ministério da Saúde (MS).

O CNES do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DataSUS) aponta que, dos leitos de UTI existentes no sistema, 332 são destinados ao tratamento de Síndromes Respiratórias Agudas Graves/Covid-19, sendo 319 deles para a hospitalização de adultos e 13, pediátricos. O sistema é volátil e a atualização parte das próprias unidades de saúde.

A ampliação no número de leitos passou a ser mais dinâmica em 2019 com a ativação das enfermarias e da UTI do Hospital e Pronto-Socorro Delphina Aziz, situado na zona Norte de Manaus e que em 2020 tornou-se referência no tratamento de pacientes acometidos pela Covid-19 e hoje atua com sua capacidade máxima de atendimento.

O número geral de leitos, incluindo os cirúrgicos e complementares, somava 6.700 na gestão anterior. Na atual, alcançou a marca de 7.299, um acréscimo de 8,9%.

Os leitos complementares são aqueles destinados a pacientes que necessitam de assistência especializada, exigindo características especiais, tais como: unidades de isolamento, isolamento reverso e as unidades de tratamento intensiva e semi-intensiva.

Início de registros

Os dados disponíveis pelo CNES começaram a ser disponibilizados em 2014, quando o Estado era governado por Omar Aziz, atual senador da República pelo Amazonas.

Uma análise dos dados gerais mostra que, entre 2014 e 2021, o maior aumento de oferta ocorreu neste ano. A curva ascendente da quantidade de leitos já vinha ocorrendo desde o ano passado.

Parte dos leitos foi aberta pelo governador Wilson Lima, para suprir a alta demanda de hospitalizações de pacientes com Covid-19, que, em janeiro deste ano, ultrapassou as projeções, acarretando em uma pressão sem precedentes sobre o sistema de saúde público e, também, sobre o privado.

Menor aumento

O menor aumento percentual ocorreu na gestão de José Melo, que ampliou em apenas dois leitos a quantidade deixada pelo antecessor, Omar Aziz, passando de 6.316 para 6.318. Na gestão de David Almeida, o acréscimo foi de 4,52%, chegando a 6.604.

Almeida foi governador tampão, por ocasião da cassação de mandato de José Melo por compra de votos, e assumiu, em janeiro deste ano, a prefeitura de Manaus, em um governo envolvido em uma série de polêmicas relacionadas à pandemia, entre elas, o escândalo conhecido como os “fura-filas”, que privilegiou um grupo de médicos e autoridades no processo de vacinação contra a Covid-19.

Em seguida, fechando a lista de dados relativos ao Amazonas, está Amazonino Mendes, cuja gestão registrou no CNES a existência de 6.700 leitos de todas as modalidades.