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22 de outubro de 2021
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Victória Sales e Bruno Pacheco – Da Revista Cenarium

MANAUS – A organização da base política do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), no Amazonas, estimava pelo menos 50 mil pessoas nos manifestos favoráveis ao presidente em Manaus, nesta terça-feira, 7, Dia da Independência, quando compareceram, aproximadamente, 12 mil pessoas, sendo 10 mil, na Praia da Ponta Negra, zona oeste da capital, e 2 mil na zona centro-sul de Manaus.

Os protestos priorizaram ataques aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Superior Tribunal Eleitoral (TSE), além de palavras de ordem contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). As manifestações contaram com políticos do Amazonas, sem e com mandatos eletivos, entre eles, o deputado federal Pablo Oliva e o deputado estadual Delegado Péricles, ambos do Partido Social Liberal (PSL).

O deputado federal Pablo Oliva fala à multidão, que ataca o Judiciário, em Manaus

Na Praia da Ponta Negra, onde estavam os dois deputados do PSL, havia faixas pedindo a “prisão” de membros do STF e o retorno do voto impresso. O discurso no Amazonas seguiu as declarações, consideradas graves, de Jair Bolsonaro, na Avenida Paulista, em São Paulo.

“Não podemos admitir um sistema eleitoral que não oferece qualquer segurança e não é uma pessoa do Tribunal Superior Eleitoral que vai nos dizer que esse processo é seguro e confiável”, disse Bolsonaro, na capital de São Paulo, em referência ao presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Luís Roberto Barroso.

Delegado Péricles, deputado estadual do Amazonas, faz discurso sem máscaras durante manifesto, em Manaus

O deputado Pablo Oliva afirmou que a população deve voltar às ruas quantas vezes forem necessárias, durante discurso na Praia da Ponta Negra, em Manaus. “O Brasil foi às ruas pedir o voto impresso, o Brasil foi às ruas pedir a prisão do Lula, não é? (…) A gente vai voltar nas ruas quantas vezes forem necessárias. É isso, galera, é Bolsonaro!”, finalizou sua fala.

Investigado pelo STF

Atualmente, Pablo Oliva, assim como Jair Bolsonaro, é investigado pelos agentes federais. O parlamentar foi denunciado, em julho do ano passado, pelo Ministério Público Federal (MPF) por utilizar a estrutura da Polícia Federal (PF) – onde ele é delegado – para praticar crimes.

Um relatório da PF mostrou que o delegado Pablo Oliva (PSL), que teve os bens bloqueados na operação Seronato, é acusado de crimes de lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e corrupção.

Durante uma apreensão em imóveis do parlamentar, a polícia encontrou um arquivo no computador dele sobre um curso de lavagem de dinheiro, o que seria um indício contra o delegado, que está sob investigação.

Manifestação a favor de Bolsonaro, em Manaus (Reprodução/Elias Mariano)

Infração à lei

Como o presidente Jair Bolsonaro, os deputados Pablo Oliva e Delegado Péricles participaram do evento em Manaus, sem máscaras, infringindo a Lei Federal 14.019/20, que torna obrigatório o uso de máscaras de proteção facial em espaços públicos.

As alterações promovidas na Lei Nacional da Quarentena valem enquanto durar o Estado de calamidade pública decorrente da pandemia de Covid-19.

Um dos manifestantes disse ser contrário ao Supremo Tribunal Federal, porque ele quer ser “melhor” que os outros Poderes, referindo-se ao Executivo e Legislativo.

De camisa preta, Silvio Rodrigues, da “Direita Amazonas”, disse que o STF “quer ser melhor que outros Poderes”
(Bruno Pacheco/Cenarium)

“Estamos vendo o STF ir contra os outros Poderes, isso não pode. Viemos aqui para defender a Constituição, a nossa Carta Magna, a nossa Carta Mãe. Queremos mostrar a nossa força”, declarou Silvio Rodrigues, presidente do movimento “Direita Amazonas”, sem dar outros detalhes.

Impresso vetado

A Proposta de Emenda à Constituição (PEC)135/2019, conhecida como a PEC do voto impresso, foi rejeitada e arquivada pela Câmara dos Deputados, no dia 10 de agosto, por 218 deputados.

O texto precisava de 308 votos de apoio para ser aprovado, mas teve apenas 229. Desde a tramitação da PEC, o presidente Bolsonaro acusa fraudes no sistema eleitoral por meio da urna eletrônica, sem apresentar provas, fazendo acusações a ministros do STF e TSE.

Protesto no Centro

Em protesto na Praça do Congresso, localizada no Centro de Manaus, a manifestação a favor de Bolsonaro contou com cerca de 2 mil pessoas, segundo estimativa da Polícia Militar do Amazonas (PMAM). O ato que começou na tarde desta terça-feira, 7, pediu principalmente pela liberdade individual dos brasileiros, e contou com a presença de diversas personalidades políticas amazonenses, como o principal aliado do presidente da República, coronel Alfredo Menezes (Patriota).

Ainda no ato, os apoiadores de Bolsonaro encerraram o evento com uma marcha pelas ruas do Centro da capital amazonense. De acordo com a assessoria do coronel, aproximadamente, 15 municípios do Amazonas realizaram a manifestação na tarde desta terça-feira, 7.

De acordo com Alfredo Menezes, o dia deu início a um momento que ficará registrado na história do Amazonas. “Estamos muito felizes com o resultado. Quero agradecer a todos que saíram de suas casas para vim demonstrar apoio ao nosso presidente. Temos que continuar lutando por nossos direitos individuais. Queremos que nossa bandeira continue verde e amarela. Que Deus abençoe a todos”, comentou Menezes.

A maioria dos apoiadores que foi ao ato não usou máscaras e não cumpriam o distanciamento social que foi informado pelos organizadores do evento, antes da manifestação. Segundo a aposentada Sueli Torres, a liberdade do povo brasileiro a levou até as ruas.

“Os comunistas, socialistas estão querendo enterrar o povo brasileiro como a gente já viu o que aconteceu nos outros países e aqui nós não vamos permitir isso, primeiro que acima de tudo existe um Deus”, destacou.

Questionada se tinha medo de ir para as ruas sem máscara e na aglomeração, Sueli afirmou que não sentia nenhum medo. “O Homem lá de cima cuida de nós, estou vacinada, faço meu reforço, tomo ivermectina de 15 em 15 dias e tomo vitamina C”, explicou.