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28 de janeiro de 2022
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Carolina Givone e Luana Dávila – Da Revista Cenarium

MANAUS – Sem consenso entre os poderes Judiciário, Legislativo e Executivo para instituir o bloqueio total, a Revista Cenarium decidiu ouvir alguns leitores para saber seus posicionamentos sobre o lockdown, o último recurso de endurecimento de medidas, para achatamento da curva de contágio do novo coronavírus.  

Nas últimas 24 horas, segundo a Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS/AM ), foram contabilizados 856 novos casos Amazonas, elevando o número de infectados para 10.099. Só em Manaus, são 5.897 pacientes contaminados. As mortes pela doença somam 806. No interior, há 4.202 casos em 53 municípios.

Segundo a FVS/AM, a baixa adesão de isolamento social no Estado contribuiu para a contaminação de mais de dez mil infectados com a Covid-19. Aos leitores, fizemos o seguinte questionamento: “Você é favorável ao lockdown. Por quê?

Veja a opinião dos entrevistados:

“Sou contra o Lockdown, mas a favor de medidas mais severas, como multas para quem for flagrado em situação de descumprimento da quarentena, multando pessoas que estão fazendo aglomeração sem motivo plausível”, disse Clara Vinente, executiva de contas.

“Eu sou favorável! As pessoas não estão respeitando nenhum tipo de medida ou recomendação. O momento exige ações radicais e mais rígidas. Infelizmente, o brasileiro não tem hábito de seguir regras, de ter disciplina e responsabilidade. Só muda de posição quando sofre as consequências que sempre serão negativas. Enfim, tem que haver mais ações drásticas”, afirma Rafael Simões, estudante universitário.

“Sou favorável, mas o governo, tanto em âmbito municipal e estadual apresentarem um plano de ação efetivo para isso, para realmente achatar a curva de contágio por uma ou duas semanas. Mas se casos eles não tenham um plano de ação eficaz, não concordo”, declara Michael Pessoa, motorista de aplicativo.

“Apesar de ser totalmente favorável ao Lockdown, não recomendo exatamente pela ausência de medidas de auxílio do Estado e do Município. Somado a isso, o fato de que a população está dividida com relação as orientações. Somos bombardeados por apelos e recomendações embasadas na ciência, para praticar o distanciamento social. Mas por outro lado, existe o posicionamento presidencial, que defende exatamente o contrário. Sendo assim, é praticamente impossível a eficácia de qualquer ação para aumentar o isolamento social, pois são e serão sempre boicotadas”, explica Alexandre Chaves, professor de educação física.

“Infelizmente é necessário, gostaria que não fosse, mas apoio o lockdown, visto que Manaus passando por mal bocados, a população não está tendo o cuidado para minimizar os efeitos da covid-19 nos hospitais”, pondera Emerson Angioli, analista de importação.

“Sou a favor, partindo do princípio de que a população em si não está respeitando o isolamento social, se dispersando sem necessidade. O lockdown também só funcionaria com multa aos ‘furões’”, defende Desirée Souza, designer.

“Sou favorável, que a medida seja apoiada pelo governo federal e ministério da Saúde, pois um bloqueio total do Estado, acarretará muitos problemas para as pessoas que não tem as condições necessárias ou as mais ‘básicas’ para sobreviver. O lockdown é necessário, mas com aliado a medidas econômicas e financeiras para a população”, enfatiza Luma Diniz, assistente jurídica.

Peso da ineficácia

Para o cientista político Jackson Serafim, a opinião dos leitores reflete o peso da ineficácia de ações do poder público, que instituiu o lockdown, como último recurso. “O que está sendo observado, que o lockdown nada mais é, do que mais um peso que a sociedade terá que carregar pela ineficácia do poder público. Imagine as forças de segurança e de Estado se movendo para multar, parar pessoas na rua para verificar para onde elas estão indo ou, em casos extremos, até prender? ”, questiona.

“Primeiro que nem há efetivo para isso. Segundo que uma medida assim precisa levar em consideração que o Estado do Amazonas não se limita a Manaus. De que forma isso vai impactar também lá no interior? Lamentavelmente todas as soluções mais severas como estas sobrecarregam apenas os mais necessitados e por razões óbvias. E se houver essa medida, sem qualquer compensação prática, imediata e efetiva do poder público, só será mais um fardo difícil de carregar para todos”, finaliza o especialista.