Participe do nosso grupo no Whatsapp Participe do nosso grupo no Telegram
23 de abril de 2021

Dólar

Euro

Manaus
23oC  29oC
Acompanhe nossas redes sociais

Michele Portela – Da Revista Cenarium

MANAUS – O contexto definido pela pandemia do novo coronavírus mudou o foco de enfrentamento de uma das maiores causas de fatalidade no mundo: o trânsito. A mudança vem da necessidade em reduzir a pressão sobre o Sistema Único de Saúde (SUS). O quadro preocupa porque Manaus ocupa o noticiário nacional sobre os efeitos da Covid-19, mas emergências também ficaram superlotadas pelas vítimas de acidentes de trânsito na capital do Amazonas.

Enquanto a pandemia avançava, Manaus começava a registrar o aumento dos acidentes de veículos nas ruas da cidade. De acordo com dados do Departamento Estadual de Trânsito do Amazonas (Detran-AM), o número de acidentes com danos materiais reduziu de 12.421 casos em 2019 para 9.306 em 2020, mas essa retração não foi suficiente para frear as perdas de vida, mesmo com o governo adotando medidas restritivas de funcionamento do serviço público, do comércio e para a circulação de pessoas.

Com a chegada da pandemia, entregadores de delivery mais que dobraram nas ruas de Manaus e isso faz deles as maiores vítimas do trânsito (Reprodução/AA)

Desde que o primeiro caso de Covid-19 foi identificado no Brasil, em 25 de fevereiro de 2020, o país registrou 251.498 casos da doença. No Amazonas, a pandemia saiu do controle e tornou a capital o epicentro da infecção no Brasil, com 10.728 mortes causadas pela Covid-19, num cenário de 321 mil casos confirmados.

Severidade

O fechamento de comércios e outras atividades esvaziaram as ruas das cidades. Porém, embora a quantidade de acidentes tenha diminuído, a severidade aumentou. Em 2020, Manaus registrou 234 acidentes de trânsito com vítimas fatais, enquanto que em 2019 houve 54 acidentes com as mesmas consequências. Além da capital, no interior houve 76 vítimas fatais no trânsito, contra 29 no ano anterior.

Em novembro do ano passado, a Secretaria de Estado de Saúde (SES) e o Detran emitiram um alerta sobre a sobrecarga desse atendimento das vítimas de acidentes de trânsito nos hospitais de Manaus, anunciando uma despesa de R$ 2,03 milhões aos cofres públicos, além dos recursos hospitalares – tais como oxigênio cirúrgico e sedativos, apenas nos hospitais 28 de Agosto, João Lúcio e Platão Araújo.

Na ocasião, Nayara Macksoud, então secretária de Políticas Públicas de Saúde, explicou que a maioria dos casos envolve ferimentos graves que exigem um tempo médio de internação superior a 15 dias.  “As vítimas causam uma sobrecarga do sistema hospitalar porque muitas são politraumatizadas, que não são de fraturas simples, mas que além de um acometimento ortopédico também apresentam uma lesão neurocirúrgica”, avaliou. “Esse custo médico hospitalar onera o SUS”, declarou.

As blitzes são fundamentais para coibir práticas perigosas e educar para um trânsito melhor (Reprodução/Internet)

Evolução

Os acidentes envolvendo colisões de motocicletas lideram o ranking, especialmente, desde maio, quando houve maior procura pelos serviços de delivery, de acordo com a assessoria de imprensa do Detran. Os acidentes envolvendo duas rodas figuram ainda entre os maiores causadores de mortes no trânsito neste ano no estado: das 218 pessoas que perderam a vida em 2020 no Amazonas, 102 estavam em uma motocicleta.

Vale ressaltar que, em Manaus, 176 mil pessoas são habilitadas para conduzir motocicletas. Contudo, a maioria das pessoas que passa a exercer essa atividade não possui capacitação para o trabalho, ou seja, apenas 1% possui curso de motofretista, necessário para se exercer a atividade de entrega por delivery.

No caso, o motociclista que desejar atuar no ramo de entrega precisa incluir a Atividade Remunerada (EAR) na Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e ainda fazer curso de motofretista. No entanto, apesar de esse curso estar disponível pelo Detran-AM, ao valor de R$ 220,89, a procura pela capacitação é baixa.

Em Manaus, existem 176.825 condutores habilitados com a categoria A e suas combinações (AB, AC, AD e AE). Desse total, somente 78.005 possuem a EAR na CNH e apenas 2.901 fizeram o curso de motofretista.