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26 de janeiro de 2022
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Com informações do Infoglobo

RIO – O dentista várzea-grandense Ernane Junior, de 39 anos, visita o pantanal mato-grossense aos fins de semana para fotografar as belezas da região. Agora, uma de suas fotos que mostra uma onça-pintada suja de cinzas em uma área queimada representa o Brasil e o Mato Grosso no Wildlife Photografher of the Year, considerado um ‘Oscar da fotografia’.

Sobre a foto finalista na premiação internacional, ele conta que foi feita, em 2020, enquanto retornava de barco pelo rio Três Irmãos, no Parque Estadual Encontro das Águas, na região do Porto Jofre. Já estava quase anoitecendo, quando avistou uma “onça preta” e pediu para o barco voltar. “Na hora eu estranhei porque sei que no nosso pantanal mato-grossense não tem dessa espécie”, diz.

Ernane conta que a onça-pintada tinha rolado nas cinzas, em meio ao maior desastre ambiental registrado no Pantanal. Ele não perdeu tempo e registrou o momento em que o animal estava parado.

Ao todo, Ernane já fez cerca de 300 viagens ao pantanal mato-grossense. Por conta da pandemia e das queimadas, acabou fazendo 50 visitas no ano passado. Em 2020 foi o ano que mais teve registros de focos de incêndio desde a década de 1990, segundo o monitoramento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Neste ano, ele e os pantaneiros se alegraram ao presenciarem uma cena inusitada de quatro onças-pintadas fêmeas, com dois filhotes cada.

Visitando o pantanal mato-grossense desde 2009, Ernane troca os dias de trabalho como dentista e, aos fins de semana, se aventura na região pantaneira com sua câmera.

Ele já viajou para África, Chile, EUA, mas sempre disse que seria pelo pantanal que seria premiado. “Sempre falei que se fosse ganhar alguma coisa, seria pelo pantanal mato-grossense”, diz.

Os pantaneiros sempre avisam quando acontece algo de interessante, conta ele. Situações inusitadas, como concentração de jacarés fora do normal ou de pássaros em uma árvore durante a lua cheia.

Queimadas no Pantanal

Estudo realizado por 30 pesquisadores de órgãos públicos, de universidades e de organizações não-governamentais estima que, ao menos, 17 milhões de animais vertebrados morreram em consequência direta das queimadas no Pantanal no ano passado.

O estudo alerta que as mudanças climáticas provocadas pelas ações do homem têm influenciado a frequência, a duração e a intensidade das secas na região. O impacto de seguidas queimadas pode ser catastrófico e empobrecer o ecossistema, que já é frágil durante o período sem chuvas. O fogo faz parte da dinâmica natural do Pantanal, mas não nessas proporções.

Cerca de 10% do que queimou em 2020.