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5 de dezembro de 2021
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Da Revista Cenarium

MANAUS – Para Arthur Neto (PSDB), um lockdown (confinamento obrigatório) seria um cenário em que alguém “joga uma pedra em alguém, começa um tiroteio com bala de borracha, começa a reação das pessoas que vivem uma situação de desespero. Algo que termina em morte”. Em entrevista à BBC News Brasil, o prefeito expôs taxas de sepultamentos e chorou, mais uma vez, quando falou sobre a pandemia em Manaus.

Para o prefeito da maior cidade da Amazônia Brasileira, medidas alternativas de auxílio à cidade deveriam partir de líderes e nomes com influência internacional, como o presidente francês Emmanuel Macron e a ativista Greta Thunberg. Arthur já chegou inclusive a gravar vídeos pedindo a ajuda dos dois, sob apelo de vulnerabilidade da floresta amazônica e dos povos tradicionais.

A esperança maior, para ele, é com a atenção de gestores como o ministro Nelson Teich e o general Eduardo Pazuello, respectivamente ministro e secretário-executivo do Ministério da Saúde. “Se essas pessoas vão resolver ou não, a gente vai ver daqui a pouco. Se vai melhorar… Acho que piorar não pode, deverá melhorar”, disse, emendando o crescimento do hospital de campanha Gilberto Novaes e a organização dos sepultamentos.

Sobre a crise funerária, o prefeito afirmou que a capital subiu de uma faixa de 20 a 30 enterros por dia para um pico de 140, atualmente “estabilizada em uma média de 120”. “Eu encaro o ‘corona’ como uma guerra. Nós tivemos que enterrar. A ordem que dei foi que procurasse dar um máximo de dignidade, mas que enterrasse com presteza, para evitarmos que aquilo virasse algo muito pior”, falou.

Recentemente, várias imagens de valas comuns sendo abertas em cemitérios da cidade, com tratores abrindo longas fileiras para as vítimas da Covid-19, rodaram o mundo. Essas especificamente eram de Manaus. Arthur respondeu sobre o alto número de mortes com causas desconhecidas ou por insuficiências respiratórias, sugerindo alta taxa de subnotificação, que engloba tudo como causa única da pandemia.

“Quando vejo insuficiência respiratória grave, eu leio Covid-19. Eu estou no hospital, aí eu morri e ninguém sabe por que morri? É complicado. Eu leio Covid-19. Quando eu leio pneumonia nos boletins dos hospitais, eu leio Covid-19. É obvio que há subnotificação aqui e no Brasil”, frisou.

Desencontros internos

Arthur ainda afirmou que até a saída do então ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, “não estava chegando nenhuma ajuda aqui”. Com a visita recente do ministro Nelson Teich, em que declarou não instalar novos hospitais de campanha, mas reforçar o que já está implantado, o prefeito avaliou que “o ministro é uma pessoa muito agradável, mas veio uma coisa mínima, ínfima”.

Ele defendeu que não se importa com uma eventual tensão política com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) nos pedidos aos líderes internacionais. E criticou ações e políticas do Governo Federal. “Não vivo de passado, não uso esses argumentos, que são muito parecidos com os do presidente, que acha que devastar não faz mal. Eu sou contra garimpo no Amazonas, contra agronegócio no Amazonas. Faça em outro lugar”, reclamou.

“Eu crio de vez em quando problemas para ele quando respondo, quando falo ou dou uma entrevista. Isso aí não me importa o mínimo. Eu não concordo com a política externa dele, não concordo com o ministro de Relações Exteriores dele. Não é uma escolha sequer madura. Então, eu me dirigi ao G7, aos líderes principais. Se ajudarem, ajudaram, se não ajudarem, é porque não compreendem a causa amazônica”, completou.