2 de março de 2021

Victória Sales – Da Revista Cenarium

MANAUS – A “cultura do cancelamento” tem sido pauta frequente após o Big Brother Brasil deste ano expor a temática para a televisão brasileira, difundida principalmente nas redes sociais. Em entrevista à REVISTA CENARIUM, a psicóloga Leyane Goes explicou sobre a cultura do cancelamento e avaliou a discussão do tema no programa.

Para a especialista, é preciso destacar que o cancelador se acha um “Deus”. “O termo cancelador é geralmente associado a uma pessoa que nunca comete erros. Como alguém que é dono da verdade e nunca está apto a ouvir o outro, pois sempre se mostra julgador”, destacou.

Leyane explicou ainda que geralmente os “canceladores” são pessoas comunicativas e sempre são pessoas bem-vistas pelo fato de militarem pelas causas e minorias. “Isso faz com que as pessoas que estão ao seu redor, que lhe acompanham, acreditem no que você fala, no que você segue e não percebem o ‘cancelamento’ que está sendo feito”, ressaltou a psicóloga.

Agressões

O BBB 2021 trouxe para dentro da casa dos telespectadores uma discussão, a polêmica entre a cantora Karol Conká, de 34 anos, e Lucas Penteado, de 24 anos, na qual palavras agressivas e atitudes preconceituosas foram despejadas pela participante. Além disso, a cantora já havia feito considerações xenofóbicas à paraibana Juliette, de 31 anos.

Atualmente, o termo “cancelado” é popular nas redes sociais e tem relação a uma pessoa excluída da sociedade por uma única pessoa ou grupo. O objetivo é chamar atenção para causas que uma minoria luta e não têm como alcançar; como por exemplo, empregos, vida financeira.

BBB21

A profissional salienta que o cancelamento não é saudável e que a partir do momento em que um discurso possa ferir o outro, não contribui para a saúde mental. “Precisamos sim ter um discurso coerente e entender que nós como pessoas estamos aqui para errar, aprender e ter uma nova oportunidade. Então precisamos ter uma comunicação não passivo-agressivo”, disse.

Leyane destaca que o reality show está mudando o pensamento do público que acompanha o programa. “Quem está de fora, está vendo os males que o cancelamento pode trazer pra quem é cancelado. Temos a oportunidade de debater mais sobre saúde mental e como isso pode causar prejuízos”, ressaltou.