4 de março de 2021

Gabriel Abreu – Da Revista Cenarium

MANAUS – O governo federal, por meio da Advocacia-Geral da União (AGU), alegou nessa sexta-feira, 12, que não pode antecipar a imunização no Amazonas. A resposta surgiu após o cumprimento do prazo de 48 horas concedido pela juíza federal Jaíza Fraxe sobre ação impetrada pelas Defensorias Públicas da União (DPU) e do Estado (DPE).

Na devolutiva à magistrada federal, a AGU argumenta que o pedido das defensorias fere o princípio da igualdade entre os Estados federativos. O posicionamento, ignora o apelo humanitário das entidades jurídicas, que visam mitigar a crise pandêmica de Covid-19 no Amazonas, que tem ceifado a vida de vários cidadãos.

A DPU e a DPE solicitavam imunização para 70% da população em Manaus e mais sete municípios do Amazonas. O pedido também concedia um prazo de 30 dias para que o governo federal viabilizasse a chegada expressa das doses em Manacapuru, Tefé, Iranduba, Itacoatiara, Parintins, Coari e Tabatinga, além da capital.

Prioridade

A manifestação da Advocacia-Geral da União afirma que o “Governo Federal vem implementado nacionalmente o programa de vacinação “dando prioridade ao Amazonas”.

Em outro trecho da peça, a AGU aponta que a presente ação das defensorias busca o estabelecimento de prioridade de uma população específica de determinada região, ou seja, independentemente de se achar razoável ou não este critério requerido pelas defensorias e que se trata de um novo critério que pode impactar no Plano Nacional de Imunização (PNI).

“É certo, portanto, que há evidente risco de prolação, por esse juízo, de decisão em conflito com o entendimento esposado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em uma ação de Controle Concentrado”. Além de entender que não “há o que se falar em atendimento diferenciado diante de uma situação onde a pandemia ataca toda nação”, disse a manifestação.

Imunização em massa

Pesquisadores ouvidos pela REVISTA CENARIUM defendem a vacinação em massa para frear o contágio da nova variante. O pesquisador da Fiocruz Amazônia, Jesen Orellana, afirma que ação pode não só reduzir o número de doentes e hospitalizações, mas também o número de mortos.

“Isso vai reduzir fortemente os gastos desnecessários que estão acontecendo por conta da epidemia. E, sem dúvida, auxiliará a economia a retomar suas atividades e devolverá a felicidade do povo amazonense”, explicou Orellana.

Segundo estudos do pesquisador da Fiocruz Amazônia, Felipe Naveca, a nova cepa encontrada em Manaus é mais contagiosa do que as outras variantes do novo coronavírus estudadas na África do Sul e no Reino Unido.

“Ela carreia algumas das principais mutações e pode ser um intermediário evolutivo que chegou até a P.1. A gente ainda não tem certeza disso, mas é muito curioso ver uma única sequência que ficou a mais próxima da P.1”, comenta Naveca.

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